Cedo para comemorar

Em matéria de estabilidade econômica e controle da inflação (metas já foram revistas), os indicadores sugerem que ainda é cedo para comemorar, contrariando o festival de entrevistas otimistas dos ministros da área econômica.

Ontem, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou a média das três principais formas de núcleo da inflação em maio e concluiu que, apesar da ligeira queda, a taxa ainda está elevada em termos anuais. Isso justifica a postura de cautela do Banco Central na condução da política monetária, segundo o instituto.

Para fazer a média, o Ipea levou em conta três tipos de núcleo: por exclusão (retira produtos com preços administrados e alimentícios), por médias aparadas (elimina as 20% das maiores altas e quedas de preços) e do próprio instituto (que dá menor peso aos produtos que tiveram as maiores oscilações).

Para os economistas - entrevista à Agência Estado, ontem - o cálculo do núcleo é importante porque permite analisar melhor a tendência da inflação. Isto porque o índice ''cheio'' do IPCA inclui todas as variações, inclusive as mais voláteis e de efeitos temporários. Por isso, os núcleos tentam eliminar estes impactos. Veja mais sobre inflação neste caderno de Economia.

LEITURA DINÂMICA

- Enquanto a cadeia da carne comemorava aumento das exportações, um produtor alertava ontem: a ameaça às exportações de carne está mais perto do que se pensa.

- A fronteira seca entre Mato Grosso do Sul e Paraguai é vulnerável à entrada de aftosa com a passagem de gado praticamente sem controle.

- Só um milagre e muita sorte impedem o aparecimento de focos.

- De janeiro a maio, as exportações de carne bovina cresceram 23% em volume e 62,5% em receita sobre igual período de 2003. Dados a Abiec, divulgados ontem pela Agência Folha.

- Os maiores crescimentos de receita com carne ''in natura'' no ano vieram de Israel (149,9%), Egito (123%) e Alemanha (118%).

- Destaque para os 81% de aumento nas compras da Rússia.



DROPS

Soja tem pequena reação

Soja teve pequena reação mas não recupera as perdas acumuladas. Ontem, no pregão da Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato com vencimento em julho fechou a US$ 8,52/bushel (US$ 18,78/saca), valorização de 0,35%.


Média no Paraná

Os preços médios do Paraná, no mercado de lotes, medidos pela Esalq, ficaram em R$ 44,53/saca (+2,98%). Em dólar, US$ 14,32/saca (+3,10%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.


Queda de 21% em maio

O mercado está fraco desde maio. A Bolsa de Chicago registrou queda de 21% na cotações da soja em grão, voltando aos patamares de fevereiro. A desvalorização acumulada somou 220 pontos ou US$ 4,85/saca. O preço que no final de abril chegou a US$ 22,79/saca, em maio, recuou rapidamente: contratos para entrega em julho fecharam em US$ 17,94/saca.


As causas, segundo a FAEP

A economista Gilda Bozza Borges, da Federação da Agricultura do Paraná, aponta, entre outros, os fatores básicos como responsáveis pela derrubada do mercado:

 Situação favorável ao plantio de soja nos Estados Unidos,
 Boatos da redução da demanda chinesa para o segundo semestre,
 Estratégia dos fundos de investimentos (em 1º de abril as posições compradas totalizavam 90 mil contratos, em 1º de junho, somam 42 mil contratos).

Cenário para 2005

De acordo com França Júnior, analista da publicação Safras & Mercados, as previsões para segundo semestre de 2004 e início de 2005 se deparam com o seguintes cenários:

1) Aumento das tensões no Oriente Médio e sem perspectiva de soluções visíveis, 2) Alta recorde nos preços do petróleo por causa da crise política na maior região produtora e pelo aumento na demanda, 3) Expectativa de aumento na taxa básica de juros nos EUA e seus desdobramentos sobre as economias dos países em desenvolvimento, 4) Grande produção na América do Sul para 2003/04, entre 89/90 milhões de toneladas, 5) Aumento da área cultivada nos EUA em 2004 entre 2,5 e 3,0%. Se confirmada, levaria a safra para a casa dos 80/81 milhões de t, 6) Efeito apenas moderado e transitório da gripe aviária sobre o consumo de farelo de soja, 7) confirmação de cenários otimistas para a economia mundial e asiática.

Tendência é ceder

Com base no atual quadro, a economista Gilda Bozza Borges acredita que os preços tendem a cair. Outros técnicos confirmam a previsão com base nos fatores existentes neste momento. Deives Faria da Silva, da FNP, concorda que a tendência é de queda no mercado internacional.

Funeral de Reagan

Na próxima sexta-feira não haverá pregão na Bolsa de Chicago devido ao feriado nacional nos Estados Unidos pelo funeral do ex-presidente Ronald Reagan. O relatório de oferta e demanda mundial elaborado pelo USDA será antecipado para quinta-feira, feriado nacional do Brasil.

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