OSWALDO PETRIN
Sinais de recessão
O desempenho da construção civil nas grandes capitais não é parâmetro aferidor do comportamento nas demais cidades. Mas a indústria da construção civil de São Paulo já está revisando para baixo as projeções de crescimento para 2004. Pelos novos números do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, o setor terminará o ano com um crescimento de 3,7% em relação a 2003. A estimativa anterior previa um crescimento de 4,5% neste ano.
Antes fosse engano. Mas a construção civil não é a mesma. Primeiro foi o setor de alimentos, apontando queda nas previsões de vários setores derivados. Agora a construção civil, a que gera empregos mais rapidamente e dá resposta imediata aos investimentos. Ainda bem que é assim e que os governos reabram linhas de crédito para investimentos.
O comentário pessimista vem do presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan. Disse ele: ''Em vez de crescer 4,5% como havíamos estimado no início do ano, o produto da construção deverá aumentar 3,7% em 2004. E não me surpreenderia se, mais adiante, esse percentual sofresse uma nova revisão para baixo''.
No primeiro trimestre, o PIB brasileiro cresceu 2,7% frente ao mesmo período de 2003, ''puxado' sobretudo pelo desempenho das exportações. Entretanto, no mesmo período, o setor da construção encolheu pela quinta vez, apresentando retração de 2,3%.
LEITURA DINÂMICA
- O governo dos Estados Unidos anunciou empréstimo de US$ 47 milhões (R$ 148 milhões) para possibilitar o acesso dos produtores rurais à internet de alta velocidade.
- No Brasil, quem produz alimentos, dependendo da região, não tem nem estrada. E quem tem boas vias de acesso está sujeito à invasão.
- E, nos portos, por descuido do Ministério da Agricultura, multinacionais sujam a soja com sementes tratadas com veneno. Resultado: imagem comprometida e preços em queda.
- Há um novo regulamento para vendas e fabricação de produtos veterinários, aprovado pelo decreto 5053, publicado no DOU de 23 de abril último. A título de pôr ordem na casa, ele pune os infratores com multas.
- O novo regulamento abrange toda a cadeia produtiva de medicamentos e vacinas utilizados em bovinos, ovinos e suínos e será discutido entre 14 e 16 de junho em Brasília.
- Laboratórios e revendas de produtos veteriários serão obrigados a implantar as normas de boas práticas de fabricação (BPF ou GMP), recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.
DROPS
Arroba chega a R$ 63,00
O preço do boi gordo, rastreado, chegou ontem a R$ 63,00/arroba. Foram poucos negócios, mas suficientes para mostrar a sustentação do preço. O Noroeste do Paraná manteve preço máximo de R$ 60,00/arroba (US$ 19).
Frio do pós-chuva
O analista da FNP, José Vicente Ferraz disse ontem que há possibilidade de alta nos preços da arroba do boi gordo, no curto prazo. A programação de abate no geral não é tão longa e o único fator estimulante ao aumento das ofertas (tirando uma alta de preços), poderia ser o frio do pós-chuvas.
Agropecuária cresce menos
O PIB da agropecuária neste ano está com ritmo de crescimento bem menor do que o de 2003. No primeiro trimestre de 2004, a evolução foi de 1,12% em relação ao mesmo período de 2003. No ano passado, o crescimento tinha sido de 2,96%.
PIB do boi é maior
O destaque neste início de ano foi a agropecuária, segundo os dados do Cepea. De janeiro a março, o PIB do setor teve crescimento de 1,48% -queda de 1,78% no mesmo período de 2003. A evolução do PIB da agricultura foi mais modesta, ao registrar alta de 0,88% neste ano (6,41% entre janeiro e março de 2003). Fonte: Agência Folha.
EUA vão importar mais
Segundo o Departamento de Agricultura (USDA), os EUA irão importar 1,5 milhão de toneladas de carne bovina a mais neste ano, que em 2003. A queda de produção, também estimada, de 4% e um consumo aumentando em 4%, inevitavelmente incentivarão maiores compras externas.
Soja cede em Chicago
Contratos para entrega em julho fecharam a US$ 8,06/bushel (US$ 17,77/sc.), queda de 5,12%. Um dos motivos foi a melhoria das condições climáticas e retomada do plantio da soja nos Estados Unidos. O outro motivo é surpresa: desaceleração da economia chinesa.
Mercado interno acompanha
Com as indústrias moageiras retraídas, o mercado interno entrou no rítmo de Chicago. No Porto de Paranaguá indicações de negócios entre R$ 43,50 R$ 44,00, conforme informação da corretora Granoeste. No interior: Maringá: R$ 41,50/R$ 42,50; Campo Mourão, R$ 41,00/42,50; Ponta Grosso, R$ 43,00/44,00.





