OSWALDO PETRIN
Recessão e preços
Analistas do mercado agrícola temem ''surto recessivo'' em alguns setores da economia e risco de disparada dos preços, mesmo sem demanda. O pior estaria reservado para o início do segundo semestre. Caso ocorram geadas, que dão margem à especulação, entre os perecíveis, as dificuldades de consumo seriam mais acentuadas.
Nesse caso o item alimentos poderia puxar a inflação obrigando o governo a rever as metas para o ano.
As previsões - que ainda não são definitivas - incluem alta dos insumos agrícolas para a safra de verão, que começam a ser adquiridos em julho/agosto.
Se os dados de inflação vêm mostrando o forte peso dos alimentos nas últimas semanas, o ritmo vai aumentar ainda mais nas próximas, diz a Agência Folha, com base na pesquisa do Instituto de Economia Agrícola mostrou que em maio o preço recebido pelos agricultores paulistas foi 1,58% superior ao de abril.
As altas ocorreram em todos os setores, mas foram mais fortes entre as carnes e os produtos ''in natura''. As maiores altas ficaram para cebola (40%), tomate (31%), trigo (11%) e frango (8%). Nos últimos 12 meses, cebola (52%) e suínos (49%) lideram as altas.
LEITURA DINÂMICA
- Paranaenses começam a lamentar prejuízos causados pela devolução da soja vendida à China. Debitam ao governo.
- Leitor Olício C. O. Santos, de Maringá, sugere: o governo ''deveria ter com as multinacionais que misturaram sementes tratadas com veneno à soja industrial, o mesmo rigor que tem contra os agricultores nos compromissos com o Incra''.
- Leitor André L. Azevedo, de Paranavaí, sobre o mesmo assunto: governo não vai conseguir nada ameaçando exportadoras porque elas, ''embora infratoras, são responsáveis pela exportação de 4 milhões de toneladas de soja todo ano''.
- A inadimplência das empresas caiu 11,8% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2003, segundo a Serasa.
- É uma boa notícia. Mas alguns especialistas avisam: queda da inadimplência também pode representar fuga do consumidor, que não compra.
- Algo como no caso das importações: ausência de importações (bom para o equilíbrio da balança comercial) pode, no entanto, representar queda da atividade econômica.
DROPS
Cursos do SENAR/FAEP
O Serviço de Aprendizagem Rural (SENAR/Paraná) e a FAEP iniciaram ontem, nos Centros de Treinamento Agropecuário (CTAs) de Ibiporã e Asssis Chateaubriand, os cursos de formação de mão-de-obra referente a junho. São vários cursos entre eles os de administração rural e informática básica e fabricação de derivados de leite.
Em Assis Chateaubriand
Hoje, em Assis Chateaubriand, começa o curso de conservas vegetais; amanhã, começa o de operadores de colheitadeiras, com ênfase ao fator segurança. Outros cursos são os de embutidos e defumados e operador de tratores.
É tudo de graça.
Informações: (44) 528-4213. e-mail: [email protected]
No CTA/FAEP de Ibiporã
Entre os cursos deste mês, em Ibiporã, estão previstos os ''Segredos da Boa Culinária Rural''; operador de colheitadeira - que inclui debulha, separação, limpeza e manutenção; construção de defumador e fabricação de embutidos e defumados.
Informações: (43) 258-2533 e (43) 258-4070.
Chance de melhorar
Os Cursos são uma boa oportunidade para o agricultor melhorar a qualidade dos seus produtos e economizar. São grátis e incluem alojamento, alimentação e material didático. Muitos desses cursos abrem chance de ganhar dinheiro no mercado com produtos caseiros, que tem a preferência do consumidor.
Cartilha do meio ambiente
''Preservar o meio ambiente é agradecer a Deus e contribuir para um mundo melhor a todos''. Com este frase na capa e destinada aos estudantes do ensino fundamental, a Usina de Açúcar Santa Terezinha, de Maringá, elaborou e imprimiu 15 mil cartilhas ambientais para serem distribuídas na 5º Feira Regional do Meio Ambiente que se encerra hoje no parque de exposições de Maringá.
Boi gordo mantém preço
O preço máximo de R$ 60,00/arroba foi mantido ontem em pelo menos uma praça no Paraná. Em São Paulo aumentou o número de frigoríficos que pagam em torno de R$ 62,00/arroba. As escalas de abate continuam curtas, um fator que aponta preços firmes. A oferta de animais rastreados continuam curtas e os preços firmes em praticamente todo o país.
Boa notícia para a pecuária
Toda notícia sobre aumento das exportações aquece o mercado. E ontem a ABIEC, que representa os exportadores, previu que as exportações brasileiras de carne bovina devem aumentar 30% neste ano. A receita deve ficar entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2 bilhões (levemente abaixo das previsões da FNP, que são de US$ 2 bilhões).
Soja cede um pouco
Cotações da soja recuaram ontem na Bolsa de Chicago para contratos com vencimento em julho. Motivo foi a oferta de papéis por parte dos fundos de commodities. Mercado interno muito calmo ontem no Porto de Paranaguá (R$ 47,00) e na maioria das praças do interior (R$ 43,50 e R$ 44,00). Preço de atacado.
Tendência é de alta
Apesar do recuo - por razões técnicas - ontem, na Bolsa de Chicago, a tendência é de alta, segundo analistas. Não fosse a oferta de contratos - razões especulativas, pois trata-se da realização de lucros -, o mercado ontem poderia estar francamente comprador, como na terça-feira. Mas isto pode acontecer nos pregões de hoje ou amanhã.





