Um estrago na soja

Início de semana, de mês e de semestre com nogícias negativas.

A rejeição à soja prejudica a imagem de outros produtos brasileiros. Durante muitos anos o Brasil alimentou desejo de conquistar o difícil, porém colossal, mercado chinês. PIB alto, sugerindo potencial comprador, e em franca abertura econômica, a China é ambicionada por todos.

O presidente do Brasil vai à China com um numeroso grupo de empresários e técnicos. Tenta vender uma multiplicidade de produtos. O cuidado com a qualidade é determinante.

Aí os técnicos chineses constatam a presença de sementes (tratadas com agrotóxicos) entre os grãos industriais comestíveis. Fosse um único caso poderia ser debitado a um ''acidente''. Mas a repetição da falha mostra negligência da fiscalização, tarefa do Ministério da Agricultura. O ministro Rodrigues discursou, ameaçou e, uma semana depois, novo embargo. São quatro navios em menos de um mês.

Imagine-se o prejuízo desses fretes marítimos e outras despesas. Multiplique-se isto uma dezenas de vezes e, então, pode-se ter idéia do valor (imensurável) do fator, digamos reputação. Difícil dimensionar o preço do comprometimento da imagem; na China e em outros mercados. Imagem da soja e outros produtos Made in Brazil.

As perdas com a devolução chegam a 3 milhões de dólares neste ano, na estimativa do governo.

A China relevou a questão dos transgênicos. Mas foi implacável com os resíduos tóxicos.

É verdade que a carga está sob a responsabilidade de tradings (como a
Trevisan, Noble Grains, Cargill, ADM, Bianchini, Louis Dreyfus e Libero Trading), mas o governo não pode demonstrar tamanha falta de controle.

LEITURA DINÂMICA

- Algo estranho - ao mesmo tempo nada de novo - no mercado:

- Apesar do frio, produtores não conseguem elevar os preços da carne suína, porque o consumo não tem alteração desde março, informam granjeiros do Sudoeste do Paraná.

- Milho mantém preços estáveis porque as indústrias adiram, de novo suas compras. Elas deveriam voltar ao mercado na segunda quinzena de maio.

- Altas de preços podem estar reservadas (com poucas chances) para o café e feijão. Motivos são o clima, no caso do café, e baixos estoques de feijão.

- Na próxima semana governo deve adiantar algo sobre política agrícola da novas safra de verão. São informações preliminares.


DROPS

Boi chega R$ 62,00 em SP

A semana iniciou com mercado firme para o boi gordo, mantendo a tendência sinalizada na semana passada. As escalas de abate de animais rastreados ainda são bastante curtas. Segundo o analistas José Vicente Ferraz, consolida-se o patamar de R$ 62,00. Ontem, pelo menos um grande frigorífico paulista pagou abertamente este valor.


Em Maringá, R$ 60,00

O preço máximo praticado ontem em Maringá chegou a R$ 60,00. Houve poucos negócios porque a oferta foi reduzida. Também em Mato Grosso do Sul (Naviraí, Dourados e Nava Andradina) os preços foram mantidos firmes, segundo pecuaristas da região. Empresas de consultoria confirmam preços firmes em MS.


Só depende do pecuarista

Para o preço permanecer neste patamar só depende da capacidade do pecuarista em manter a oferta equilibrada. A queda da temperatura - que poderia conspirar contra os produtores, pressionando a oferta -, acabou se transformando em chuva, apesar de a meteorologia ainda prever a aproximação de massa polar.


Tendência de alta

A baixa oferta de animais rastreados parece ser o fator principal que deve estimular estas altas, segundo Ferraz. No atacado, as expectativas são, no momento, de estabilidade de preços, mesmo com o pagamento de salários previsto para os próximos dias.


Expectativa na soja

Nesta terça-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulga relatório sobre as condições da safra norte-americana. Intensas chuvas atrapalham atividades no Meio Oeste dos Estados Unidos e este fato pode dar margem à especulações na Bolsa, puxando os preços.


Pesadelo da rejeição

O mercado brasileiro deve sofrer mais um golpe esta semana com a repercussão da decisão da China, ontem, de rejeitar mais um carregamento de soja do Brasil, o quarto navio em 30 dias, pelo mesmo motivo: a presença de sementes tratadas entre lotes de grãos industriais. (Veja matéria e comentário nesta página).


Memorial Day e o mercado

Além do fator China, o mercado interno não andou ontem por conta da ausência da Bolsa de Chicago no mercado em função do feriado (Memorial Day) nos Estados Unidos. No Porto de Paranaguá não houve indicação de preços.


Ritmo das vendas

Ontem saiu o relatório da Céleres Consultoria, de Uberlândia: os produtores brasileiros já venderam 65% da produção deste ano, contra 56% nesta época, no ano passado. No Paraná a comercialização é mais lenta: 52%.

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