OSWALDO PETRIN
Uma greve de US$ 24 milhões
Mais um dia de operação padrão. Mais um dia de omissão do governo e dos políticos do Paraná. Ninguém se preocupa com os prejuízos causados pela greve. Incrível como esse governo realmente não tem compromisso com o setor produtivo.
São mais de 24 milhões de dólares em mercadorias retidas no Porto de Paranaguá há mais de 30 dias por causa da operação padrão dos fiscais da Receita Federal.
O governo, de origem sindicalista, não quer diálogo, não aceita conversar. Os fiscais estão reivindicando um plano de cargos e salários desde meados do ano passado e até agora não foram atendidos pelo governo federal.
De acordo com empresários, já estão faltando alguns produtos importados como pó solvente para refrigerantes, película e tinta para impressoras e fax, papel, peças e componentes de veículos, entre outros.
O problema é que esses produtos estão ficando escassos no mercado e o consumidor vai acabar pagando a conta porque a tendência é subir o preço da mercadoria. As empresas estão preocupadas também com a possibilidade de perdas de contratos por falta de matéria-prima.
Mas ninguém tem nada a ver com isso. Impressionante.
LEITURA DINÂMICA
- Chicago aprova a Wal-Mart. O que parece não interessar para Londrina (segundo a Associação Comercial local e, também, pelo que deixou entrever, em determinado momento, a prefeitura), interessa a Chicago.
- Ironia à parte: a Dow Jones informou ontem: a gigante norte-americana Wal-Mart recebeu aprovação do Conselho Municipal de Chicago para construir sua primeira loja dentro dos limites da cidade, após um debate sobre se a rede varejista realmente gera prosperidade nas regiões onde se instala.
- Em outra votação, a da proposta da empresa de abrir uma segunda loja em uma região pobre nos arredores da cidade, não houve aprovação.
A abertura de lojas da Wal-Mart era combatida por grupos trabalhistas e políticos, que afirmavam que a gigante exterminaria com pequenos varejistas locais, diante da sua prática ''predatória'' de preços baixos.
Os vereadores de Chicago debateram a proposta de abertura por 3 horas na noite de quarta-feira.
- Uma lição de democracia, responsabilidade e critério.
- Independente do resultado, houve debate.
DROPS
Cai oferta de boi
O mercado do boi entrou mesmo numa fase favorável ao pecuarista. A Consultoria FNP informou ontem que, ''mesmo com a pequena flexibilização temporária nas normas do Sisbov, as ofertas de gado rastreado são restritas e as escalas de abate para este tipo de animal continuam se encurtando''.
Frio não pressiona
O frio que acontece na região Sul do País e em partes do Sudeste ainda não foi capaz de estimular as ofertas. Os preços no mercado físico do boi gordo, de um modo geral, se mantêm firmes, havendo mesmo algumas altas isoladas. No atacado os preços ficam inalterados mais uma vez.
Prazo para brincar o gado
Pecuaristas já cadastrados no Sisbov e receberam o número de identificação do animal, terão um prazo de 60 dias para brincar os animais, devido ao atraso na entrega dos brincos, que, em alguns casos, chega a 35 dias. As 8 empresas fabricantes dos brincos têm 3,3 milhões de pedidos ainda não atendidos e, somente de fevereiro a março, o salto na demanda foi de 1 para 5 milhões de pedidos. Quem ainda não contratou a certificadora e recebeu o número de identificação do animal, terá que cumprir os prazos normais.
Efeito retardado
As consequências do impasse da soja contaminada finalmente refletiram no mercado. Ontem o pregão da Bolsa de Chicago encerrou com forte queda tendo inclusive o contrato de primeiro vencimento registrado limite de queda. A desaceleração das compras chinesas, devoluções de cargas brasileiras e a renegociação de contratos afastou os investidores, que pressionaram fortemente os preços dos contratos através de um movimento de vendas especulativas.
Safra norte-americana
O contrato com vencimento previsto para julho negociado na CBOT fechou a US$ 8,22/bushel (US$ 18,12/saca). Há previsão de mais chuvas no decorrer dos próximos dias na região do meio-oeste americano que poderá trazer mais prejuízos para as lavouras, além do atraso do andamento do plantio.
Posição defensiva
No mercado interno muitas praças pesquisadas pela FNP apresentaram-se fora do mercado de soja devido à abrupta queda dos preços na Bolsa de Chicago, influenciada pelas especulações e ainda pela devolução da soja brasileira pela China.
Movimento especulativo
Há evidências de que essa onda de desvalorização ocorrida na Bolsa foi resultado de um movimento especulativo por parte dos compradores mundiais, com o intuito de protelar a decisão de realização de negócios para meados de agosto, quando a safra americana já tiver sido colhida e os preços apresentarem-se, desta forma, mais atrativos. No Porto de Paranaguá, houve pequeno volume de soja comercializada a R$ 45,50/saca. Veja na página 2, preço nas demais praças.





