OSWALDO PETRIN
Um governo que complica
Contradição. Enquanto em Brasília o Ministério do Desenvolvimento discute, hoje, com a Receita Federal e a Secretaria de Política Econômica (SPE), o programa de simplificação do sistema de abertura e fechamento de empresas, no Paraná centenas de empresas estão sofrendo prejuízos por um problema de solução muito mais simples:
Trata-se da operação-padrão dos fiscais da Receita Federal de Paranaguá, que já dura 45 dias. O movimento pode paralisar a linha de produção de várias dezenas, talvez centenas de empresas do Paraná.
A solução só depende do governo. Basta negociar logo com os grevistas, atender suas reivindicações ou buscar uma solução negociada. O que não pode é continuar como está.
Reportagem publicada no primeiro caderno desse jornal informa que algumas montadoras tentaram trazer as peças por avião, mas não conseguem repassar o alto custo dessa operação para o produto final. ''Fica inviável economicamente trazer peças e componentes por outros meios que não seja o navio'', explicou. ''Se o governo não solucionar urgentemente o problema vai comprometer seriamente todo o parque automotivo instalado no Estado'', afirmou.
Se a operação-padrão continuar por mais alguns dias, muitas empresas vão entrar em colapso. Essas empresas - que pagam impostos, que geram empregos, que garantem a entrada de dólares que o País tanto precisa - merecem um tratamento melhor.
As empresas do pólo automotivo no Estado nunca passaram por um período tão crítico por falta de peças importadas e algumas podem paralisar a linha de montagem porque estão sem componentes, disse ontem o diretor regional do Sindipeças do Paraná, Benedicto Kubrusly.
Pergunta-se: De que adianta o Departamento Nacional de Registro Comercial (DNRC), órgão vinculado ao Ministério de Desenvolvimento tentar desburocratizar o caminho (difícil) de quem (heroicamente) vai abrir uma empresa? As empresas que passaram por esse processo e já se instalaram estão tendo que remover montanhas para produzir em meio a tantos impostos, exigências e setores do governo trabalhando contra.
LEITURA DINÂMICA
- Exército cuidará das estradas para de acesso aos assentamentos da reforma agrária.
- Os ministros do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e da Defesa, José Viegas Filho, assinaram ontem uma portaria para restauração, pavimentação e melhorias dessas rodovias.
- Os dois ministérios serão responsáveis pelo empenho dos recursos e as obras serão executadas por unidades do Exército.
- O Exército se encarregará da mão-de-obra. Os recursos, já previstos no orçamento do Incra, são inicialmente R$ 40 milhões.
- Em todo o País, há 6.300 projetos de assentamentos.
- A iniciativa é muito boa porque beneficia um grande número de famílias. O ideal seria que o governo adotasse o mesmo critério para melhorar centenas de quilômetros de estradas que atendem pequenos e médios produtores.
- Esses, pagam pedágios, recolhem tributos e não têm crédito suficiente. Basta acompanhar a luta da Fetaep com relação a escassez de recursos do Pronaf.
- Nesse ritmo vão perder suas propriedades para os grandes fazendeiros (a concentração da posse da terra foi brutal nos úlimos anos e ainda continua) e, assim, acabarão se abrigando em assentamentos. Quem sabe, então, terão atenção do governo.
DROPS
Jacarezinho centenária
O dr. Celso Rossi e outros leitores de Jacarezinho estão comunicando as comemorações dos 100 anos da comarca, no próximo dia 1º de junho. Na programação um ponto 'imperdível': serão exibidas filmagens feitas em 1947. Cenas mostrando a cidade naquele ano vão emocionar.
Custo de produção
Enquanto as estatísticas do agronegócio passam a idéia de uma agricultura rica, as coisas se complicam e o setor, que continua transferindo riquezas para multinacionais e bancos. Rico é o agronegócio; a sua ponta produtora terá novos desafios.
Custo de produção 2
As compras de adubos e de fertilizantes vão ficar ainda mais pesadas no bolso dos produtores. Os gastos com essas importações somaram US$ 6,4 milhões por dia neste mês, 22% a mais do que no ano passado. A alta do dólar (R$ 3,18 ontem; veja indicadores na página 2 deste caderno) vai elevar ainda mais os preços dos fatores de produção.
Queda na Bolsa
O pregão na Bolsa de Chicago oscilou bastante. Contratos de curto prazo recuaram ''em função da pressão vendedora'' por parte dos fundos motivados pela realização de lucros, informa a FNP. O contrato com vencimento previsto para julho encerrou a US$ 8,72/bushel (US$ 19,22/sc. de 60 kg) queda de 1,16%.
Mercado interno
Os preços internos ficaram inalterados na maioria das praças e o volume negociado é baixo, mostrando que o agricultor está segurando a produção na expectativa de recuperação de preços em Chicago.
Alta em Ponta Grossa
Em Ponta Grossa, pequena alta nas cotações devido um melhor movimento de comercialização. No mercado de lotes, a saca foi vendida a R$ 47,00, ante os R$ 46,00/saca na terça-feira. Paranaguá: R$ 47,00/48,50.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da Esalq ficou em R$ 46,27/saca, alta de 0,72% no dia. Em dólar, US$ 14,64/saca, estável. O indicador é calculado com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





