Oswaldo Petrin
-Com juros altos para aquisição de bens como veículos, imóveis e eletroeletrônicos, pode haver uma migração do dinheiro (da economia familiar) para compra de bens de consumo que representem impacto menor no orçamento. Os setores beneficiados seriam confecções, alimentos e talvez o lazer. A hipótese de migração de investimentos é admitida pelo professor Ismael Mologni, de Londrina, em entrevista a este Jornal, para este final de semana. Analista que previu a crise das bolsas com três meses de antecedência, Mologni acha defensável que as pessoas, para fugir das altas taxas de juros, deixem de comprar um veículo, por exemplo, e direcionem seus investimentos para outros itens.
-O impacto dos juros deixou o consumidor na defensiva. Com o deslocamento da aplicação do dinheiro, o setor alimentício seria o grande beneficiado. Os setores mais prejudicados no caso, como as montadoras e revendas de carros, tratariam de reverter o quadro.
-Esta tendência, porém, só ficaria definitivamente configurada a partir da semana que vem, com um quadro bem definido da política monetária. A propósito, ontem o Banco Fiat e o Banco GM, braços financeiros das montadoras, anunciaram novas taxas de juros para a venda por leasing e por financiamento. A Fiat começou a vender ontem em operações de leasing com juros de 1,2% para o Tempra e de 1,65% para o resto da linha. A opção tem variação cambial e prazo de até 36 meses. O financiamento prefixado pode ser feito em até 24 meses, a 3,80% ao mês. A Fiat não havia divulgado esta semana alterações em suas formas de financiamento.
-O Banco GM decidiu mudar mais uma vez a taxa de juros de suas opções prefixadas. As vendas por leasing passam a ter taxa de 2,89% e o
financiamento em 12 e 24 meses, de 3,20%. A GM não alterou os juros das operações pós-fixadas. Continuam de 2,19% para o leasing e de 2,49% para o financiamento, mais variação cambial, como havia sido anunciado na quarta-feira.
-A taxa de juros da GM na semana passada era de 2,75% para o leasing e de 2,99% para o financiamento prefixado. Na quarta-feira, os valores chegaram a subir para 3,89% e 3,99%, respectivamente. Os distribuidores Ford em São Paulo promovem neste final de semana uma feira de carros novos no Aeroporto de Congonhas. A taxa de juros será de 1,65% mais variação cambial para a modalidade pós-fixada e de 4,5% para a modalidade prefixada, com prazo de até 36 meses. Ontem, distribuidores Ford já estavam oferecendo a nova taxa.
Hoje, vendedores de concessionárias reclamavam da queda nas vendas.
Segundo eles, a novidade nos últimos dias é que cresceu o número de
clientes que estão fazendo ofertas para pagamento à vista. Estamos aceitando propostas, disse Luis Cláudio Freitas, supervisor de vendas da Convel. (Entrevista a Josélia Aguiar, Agência Folha).Juros mensais
Os juros mensais cobrados de pessoas físicas subiram entre 1,82 e 4,05 pontos percentuais, na média, depois que o Banco Central praticamente dobrou as taxas básicas das aplicações financeiras.
Taxas altas
A média dos juros cobrados no comércio, de 9,08% ao mês em setembro, passou para 10,90% ao mês ou 246,08% ao ano, informa Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da entidade.
Cheque
As grandes redes puxaram menos (+0,90 ponto) que as pequenas (+3,13). Algumas cadeias de lojas mantiveram os preços. As taxas de cheque especial e cartão de crédito superam o patamar de 300% ao ano.
Fonte
A conclusão é de um levantamento feito pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) após o choque dos juros, considerando as várias modalidades de empréstimos. (Agência Folha).
Milho BM&F
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem a R$ 8,18/saca. Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,39/saca. O valor a prazo foi de R$ 8,21/saca.





