OSWALDO PETRIN
Constituição 'estuprada'
O jurista Ives Gandra Martins - um dos nomes mais respeitados do Brasil - disse ontem que a Constituição brasileira é ''estuprada'' todos os dias pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Para ele, a insegurança jurídica é uma das amarras à atração de investimentos e uma de suas manifestações - as invasões e os conflitos no campo - se deve à falta de coragem do atual governo para ''enfrentar'' o MST.
As declarações foram feitas durante o seminário ''Brasil: Propostas de Desenvolvimento'', aberto pela Comissão de Desenvolvimento da Câmara dos Deputados.
''Os sem-terra tornam esta senhora a mais estuprada do Brasil. Ela é estuprada todos os dias pelos sem-terra'', afirmou Gandra, com um exemplar da Constituição de 1988. ''Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse a coragem de enfrentar seus antigos aliados, teria tudo (para deslanchar o desenvolvimento do País), porque ele tem o caráter de um líder carismático.''.
O jurista também chamou a atenção para as outras quatro amarras ao desenvolvimento: excesso de burocracia, altas taxas de juros, elevada carga tributária e altos gastos incutidos no sistema federalista do País.
Conforme explicou, com ambiente de ''ordem'' e uma burocracia profissionalizada, o cenário econômico para o País será bem diferente - as taxas de juros cairão, a economia crescerá e diminuirá a carga tributária. O Brasil teria, em sua opinião, condições de apresentar-se de forma mais vantajosa na disputa por investimentos diretos estrangeiros com a Índia, a China e a Rússia. (Agência Estado, Denise Chrispim Marin).
LEITURA DINÂMICA
- Cinismo: De um deputado aliado do Planalto, Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara, sobre salário mínimo:
-'Se houvesse fonte de receita, o governo do presidente Lula teria dado aumento maior'.
É de morrer de rir.
- Cinismo 2: Do editorial da Folha, nesta edição, sobre fechamento do Big:
'O presidente da Companhia de Desenvolvimento Codel declara lamentar o ocorrido e a sorte dos 110 funcionários do Big que ficaram desempregados.
- Mas o chefe do mesmo Executivo dificulta a vinda do Wal-Mart ao desapropriar um terreno central que a rede havia escolhido para estabelecer-se.
- Um hipermercado que fecha e desemprega e outro que não abre (ou é induzido a, eventualmente, não abrir), tem o mesmo significado quando se pensa em emprego.
- Há, no mínimo, um descompasso de posições entre o que pensa a Codel a decisão do Palácio Municipal'.
DROPS
Soja reage no interior
O preço máximo da soja se manteve ontem em R$ 55,00 em Ponta Grossa, principal centro de processamento do Estado do Paraná. Os preços praticados em Cascavel e Maringá não ficaram muito longe desse patamar, chegando a R$ 54,00. Em Maringá houve alguns lotes chegaram a R$ 54,50/saca. Mas no Porto de Paranaguá as indicações de preços cederam para valores entre R$ 56,50 e R$ 56,80/saca.
Alta inesperada
Não há novidade nesses valores, mas o mercado já sinalizava o fim de uma escalada de alta. Aí o preço da soja reage e volta a ganhar força. Bastou uma ameaça de atraso na safra norte-americana e novos dados sobre as perdas no Brasil e Argentina para o preço reagir com certa força.
Indicador médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 53,84/saca, alta de 0,11% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,13/saca, ganho de 0,44%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná e transmitido pela AE.
Visão da Oil World
A publicação alemã Oil World, em sua última edição, segue otimista quanto ao futuro dos preços. Os fundamentos do mercado, oferta e demanda, deixam claro que novas altas estão à frente, podendo superar US$ 10,64/bushel vividos na segunda quinzena de março. A principal causa é a redução da oferta.
O mercado, ontem
A terça-feira foi marcada pela completa ausência de compradores, informa análise da Graoneste, de Cascavel. Os prêmios nosportos brasileiros continuaram cedendo. ''Praticamente não há tomadores externos neste momento porque a China, maior importadora de soja do mundo, está sem comprar há uma semana''.
Dólar ainda ajuda
O câmbio se comportou relativamente calmo, ontem, diante notícias mais otimistas sobre a macroeconomia: comercial R$ 2,968/R$ 2,970; paralelo, R$ 2,930/R$ 3,000. Mesmo assim foi um bom aliado na sustentação dos preços da soja.
Milho no Paraná
Preço do mercado de lotes, ontem, no Paraná: entre R$ 21,00 e R$ 22,00/saca. Nenhuma novidade, a não ser um mercado lento. No Porto de Paranaguá, segundo a Granoeste, houve apenas indicações em torno de R$ 24,00. E novas ofertas a US$ 145,00/tonelada. Mas, segundo a Granoeste, havia compradores por R$ 140,00/t.





