O 'impacto' do mínimo

O novo salário mínimo, calculado nos moldes em que membros do atual governo tanto criticavam, tem pelo menos uma virtude. Não é verdade que ele vai matar o povo de fome, ou de vergonha. Existe um fenômeno chamado deslocamento de consumo; ocorrer toda vez que o dinheiro novo injetado na economia popular não dá para fazer nem uma coisa nem outra. Assim, se o 13º salário é curto e não dá para reformar a casa ou trocar os móveis, certamente as famílias destinam esse dinheiro à compra de alimentos ou roupas. No caso do mínimo não é diferente: ninguém vai conseguir comprar nem uma bicicleta com esse ''aumento''. Logo, as pessoas podem se alimentar um pouco melhor. Ainda que por pouco tempo, porque a inflação é visível.

Dentro desse raciocínio, o analista de mercado Valmir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, de Curitiba, faz a seguinte observação (ontem, à Agência Folha): o salário mínimo em R$ 260 vai deixar pouca margem para os consumidores adquirirem produtos mais sofisticados. Com isso, deve aumentar a demanda por arroz e feijão.


LEITURA DINÂMICA

- O mínimo não decola mas os lucros dos bancos voam. O lucro líquido do Bradesco no primeiro trimestre cresceu 20% na comparação com o mesmo período do ano passado, passando de R$ 508 milhões para R$ 609 milhões.

- O resultado foi impulsionado pelo aumento de 29,6% das receitas de serviços e pela redução de 30% das despesas com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).

- Mas houve aumento das despesas operacionais por causa da compra do BBV e do reajuste dos bancários no período, o que influenciou de forma negativa os números do balanço.

- A partir de 2005, os frigoríficos serão obrigados a adotar o Sistema Brasileiro de Classificação de Carcaças de Bovinos. Essas regras estão definidas na instrução normativa anunciada ontem na ''Expozebu''.

- A classificação ou tipificação de carcaças confere mais consistência à rastreabilidade.


DROPS
Semana começa em alta

A segunda-feira começou com forte alta na Bolsa de Chicago. Houve pouca oferta de papéis nos contratos futuros. Vários fatores exerceram influência sobre as cotações de Chicago, um deles foi a pouca disponibilidade nos mercados argentino e brasileiro.

Colheita reduzida

O mercado internacional está apontando nova redução da safra brasileira. Agora ficaria abaixo dos 50 milhões de toneladas. A safra agentina também cai: 32,5 milhões de t, inferior a do ano passado (35,5 milhões de t). Este não é o único fator a puxar os preços, mas tem dado margem à especulação.

Safra norte-americana

Outro fator de alta fica por conta da safra norte-americana. Solos excessivamente úmidos, em função das últimas chuvas, podem atrasar o plantio. Embora não se trate de redução de área, o pequeno problema técnico dá margem à especulação.


Prêmios ainda atrapalham

O mercado interno esteve parado, ontem. Conforme análise da Granoeste, de Cascavel, a boa performance de Chicago e do câmbio (dólar comercial a R$ 2,979/R$ 2,981 e paralelo a R$ 2,920/R$ 2,990) foi neutralizada novamente pela queda dos prêmios. O volume de negócios segue pequeno, com retração tanto de vendedores como de compradores. Em Paranaguá, negócios a R$ 57,00 e, no Oeste e Norte do Paraná, indicações de compra a R$ 52,00.

Previsões divergentes

A previsão que os norte-americanos fazem para as safras brasileira e argetina pode estar exagerada, mas as consultorias brasileiras também estão corrigindo suas estimativas. A Céleres, de Minas Gerais, reajustou para baixo as estimativas de soja em seu ''10º Relatório de Acompanhamento de Safra''. Segundo a consultoria, a produção nacional será de 52,7 milhões de toneladas, ainda superior à do ano passado (52,5 milhões).


Preços médios no Paraná

O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 53,78/saca, alta de 0,47% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,05/saca, baixa de 1,15%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Milho mantém preços

Preços do milho foram mantidos ontem entre R$ 21,00 e R$ 22,00/saca no interior do Paraná (veja também na página 2). No Porto de Paranaguá, indicações de preços na faixa de R$ 23,50 e R$ 24,00.

A expectativa é de alta para o milho, embora o melhor momento para isto já tenha se esgotado.

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