Oswaldo Petrin
-As vendas de veículos novos, a prazo, já estão retraídas. Consumidor que tem juízo não quer cometer a imprudência de assumir dívidas no escuro. Só reduzir o prazo não adianta, o jeito é adiar as compras. O comércio entra na reta da virada do ano com o pé no freio. A alta dos juros já começou a produzir os primeiros efeitos negativos sobre a indústria. Ou pelo menos está servindo de pretexto para que algumas empresas, que já vinham registrando queda nas vendas, reduzam a produção ou promovam demissões.
-E na agricultura? Caso os juros altos se mantenham até o início da safra 98, os preços dos produtos agrícolas poderão cair. A avaliação é de analistas do mercado agropecuário e de cooperativas, que não acreditam na retração dos juros em dois meses, como prevê o Banco Central. Os juros só devem afetar os preços na entressafra. No início da safra 98, os juros devem voltar aos patamares anteriores, diz Célio Porto, assessor da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. O economista da USP (Universidade de São Paulo) Fernando Homem de Melo discorda. Diz que a queda de juros será lenta e deverá afetar a colheita. Ninguém irá querer estocar com os juros altos. Com isso, poderá ocorrer um excesso de oferta de produtos no mercado. Os preços, consequentemente, devem cair, diz o economista. (Entrevistas a Roberto de Oliveira, da Agência Folha).
-A permanência dos juros altos também pode provocar a desaceleração da
economia com consequente redução de consumo. Isso tudo aliado a um excesso de oferta de produtos pode fazer com que os preços caiam ainda mais,
afirma Melo.
-Luiz Antonio Pinazza, executivo da Agroceres, também acha que os juros
altos irão onerar o custo de estocagem das empresas. Segundo o assessor
econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná)
Flávio Turra, a esperança dos agricultores é que os juros caiam. Turra diz que a medida de aumentar as taxas de juros, adotada pelo Banco Central para evitar a saída de dólares com a crise nas Bolsas, já surtiu efeitos nos custos de produção agrícola.
-Com exceção dos empréstimos oficiais, outros financiamentos, como compra de máquinas agrícolas, insumos e empréstimos, já estão refletindo no bolso do agricultor, diz Turra. O pesquisador Luiz Cláudio Caffagni do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP, de Piracicaba (SP), diz que, com a turbulência do mercado econômico, o produtor tem que calcular com mais rigor ainda o custo de produção.
-Caffagni diz que o produtor também deve ficar atento aos mercados futuros e vender parte de sua produção antecipadamente para reduzir os riscos de queda de preço na época da colheita.Abate/risco
Aumento do abate sem inspeção federal significa mais carne duvidosa no mercado. Nunca o perigo esteve tão perto do consumidor. São muitas as zoonoses. Animais são abatidos sem a presença de médico-veterinário.
Abate/risco 2
Ministério da Agricultura está convocando reunião entre vários setores, inclusive Associação dos Supermercados. Devem participar também representantes de órgãos de defesa do consumidor. (Ver matéria na página 5 deste caderno).
Abate/risco 3
Em Paranavaí o promotor está exigindo fiscalização, é orientação da Promotoria do Estado. Como a ordem veio de Curitiba o mesmo deve ocorrer em outras regiões: Maringá, Londrina, Cascavel.
Milho atacado
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,15/saca. Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,38/saca. O valor a prazo foi de R$ 8,207/saca.
Soja Fipe
O Preço Nacional da Soja, calculado pela Fipe/BM&F, com base em dados coletados pela Agência Estado, ficou ontem em R$ 18,45/saca. Em dólar, a cotação subiu 0,38% ficou em US$ 16,72/saca.





