OSWALDO PETRIN
Câmbio cria expectativa
Momentos de incerteza na economia já refletem nas commodities. Mercado da soja viveu momentos de ansiedade ontem. A valorização do dólar norte-americano e a alta nos contratos futuros da Bolsa de Chicago, provocaram recuo nas vendas no interior do Paraná.
O dólar comercial bateu R$ 2,965/R$ 2,967; o paralelo R$ 2,930/R$ 3,020. O dólar atingiu ontem seu maior valor desde setembro do ano passado. Outro sintoma fiel da crise, o índice Bovespa, caiu 2,97% e atingiu seu menor nível em pontos desde novembro de 2003.
Na semana, o dólar subiu 1,9%. Ontem a moeda americana teve uma alta de 0,58%.
Já a soja na Bolsa de Chicago acumula alta de 4,4%. Hoje pode haver realização de lucros e, então os preços caem. Mesmo assim, a semana chega ao final com as configurações gráficas de preços apontando para cima, além dos US$ 20,00/saca do início de abril. Ontem, na Bolsa de Chicago o pregão encerrou em alta, o contrato com vencimento previsto para julho negociado na CBOT fechou a US$ 10,00/bushel (US$ 22,05/sc).
Segundo análise da FNP, no mercado interno o vendedor procura liquidar apenas pequenos lotes para atender os compromissos e deverá parcelar a venda no decorrer dos próximos quatro meses a ''conta gotas'' no intuito de obter melhores preços num ambiente de escassez de oferta, de baixa disponibilidade e disputado por parte do comprador.
Por outro lado, algumas indústrias se ausentaram das compras nesta quinta-feira. No entanto - observam analistas da FNP - os exportadores movimentaram lotes a R$ 57,00 por saca no porto no melhor momento do pregão. O prêmio ontem negociado no Porto de Paranaguá subiu para 115,00 (vendedor) a 120,00 (comprador) por bushel, abaixo de Chicago sobre o vencimento de julho para carregamento imediato.
Mais uma variável a exercer influência no curtíssimo prazo. É a chegada de uma frente fria no meio-oeste dos Estados Unidos neste final de semana. Deverá provocar quedas bruscas de temperaturas. A ocorrência de geadas pode afetar o desenvolvimento inicial das culturas de milho e soja no país, frustrando por mais um ano a perspectiva de safra naquele país.
É cedo para prever isto; é precipitado falar em mercado com base num fator efêmero como o clima. Mas especulação é especulação e a Bolsa vive disso. Portanto, quem tem contratos a fechar que fique de olho.
LEITURA DINÂMICA
- O governo continua o jogo de empurra sempre que têm de tratar de indicadores ruins da economia. Ontem, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou tudo o que dissera no início do mandato.
- Segundo a Agência Estado chegou a dizer que só escreveu uma carta justificando o descumprimento da meta de inflação.
- O presidente do BC foi advertido pelo deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), integrante da base aliada, de que em 2003, primeiro ano do governo Lula, a meta também não havia sido cumprida.
- Sem perder o jogo de cintura, o presidente do BC tentou argumentar que o documento enviado ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no final de janeiro, foi ''meramente o cumprimento de um rito formal''.
- Enquanto isso, a inflação nos supermercados está muito além dos índices comprometidos com o FMI.
DROPS
Previsões: Conab X IBGE
Estatística no Brasil não é totalmente confiável, por vários fatores. As divergências entre os números dos levantamentos da Conab e IBGE não chega a ser gritante.
Safra ainda é maior
Ontem foi a vez de o IBGE divulgar dados de safra. A safra brasileira de grãos fica em 125,5 milhões de t neste ano, 5,5 milhões a mais do que os 120 milhões da Conab. Os dados da Conab estão mais alinhados com as estimativas do mercado.
Qual é o número correto?
As principais diferenças entre os órgãos ficam para soja e milho, exatamente os dois produtos de maior expressão. O IBGE prevê a safra de soja em 52,6 milhões de t, acima dos 50,2 milhões de t da Conab. No caso do milho, a previsão do primeiro é de 45,8 milhões, contra 42,7 milhões da Conab.
Milho tem novos números
A produção brasileira de milho foi reavaliada pela Conab de 46,34 milhões para 42,67 milhões de t, sendo 32,92 milhões de t de produção na safra normal e 9,7 milhões na safrinha. A produção total estimada é 10% inferior à obtida na safra passada, sendo a produção da safra normal 5% inferior e da segunda safra 24% menor.
Paraná perde 7,8%
A Região Sul deverá produzir, na primeira safra, 15,4 milhões de t. É a região que apresenta maior redução na produção comparada ao ano passado 8(12,8%), sendo 2,5% no Rio Grande do Sul, 7,8% no Paraná e 6,9% em Santa Catarina. A redução da área de plantio nesses Estados foi de 6,2% e da produtividade de 7%, influenciada pela quebra de 25,2% da safra do Rio Grande do Sul.
A produtividade média é de 4.427 kg/ha. Destaque para o Paraná com média de produtividade de 5.554 kg/ha; área de plantio, 1,351 milhão de ha.
No Paraná a produção total de milho foi reavaliada, pelo Deral, em 11,5 milhões de t, o que representa uma redução de 20% em relação à safra passada.
Milho para apenas um mês
Considerando a produção brasileira de 42,67 milhões de t, um estoque inicial de 6,5 milhões de t e um volume de importação de 200 mil t, o suprimento total de milho no país passa a ser estimado em 49,43 milhões de t. O consumo foi reavaliado de 39,6 milhões de t para 40,48 milhões de t, as exportações são estimadas em 5 milhões, o que resulta numa demanda de 45,48 milhões. O estoque final passa a ser de 3,9 milhões de t, suficiente para pouco mais de um mês de consumo.
Soja, indicador médio
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 52,93/saca, alta de 0,70% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,84/saca, ganho de 0,11%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





