Luta contra subsídios

A decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de condenar os subsídios concedidos pelos Estados Unidos a seus produtores de algodão é positiva e mostra algum avanço contra a postura dos países desenvolvidos que subsidiam sua agricultura, em prejuízo do livre mercado. A decisão da OMC cria um ambiente favorável para o combate ao protecionismo.

É ilusório, contudo, achar que está dada a largada contra os subsídios. Procede, porém, a conclusão de que a medida vai ajudar a ''deslegitimar as bilionárias subvenções'' à agricultura, como entende o ministro Amorim Relações Exteriores. Não é sincero passar para o setor essa visão.

De fato, há sinais de mudança, mas isto é para longo prazo. De imediato ficamos com a hipótese (demasiado otimista) de que a decisão da OMC deverá colaborar com as posições do Brasil nas negociações da Rodada Doha da OMC e na controvérsia que o País abriu contra a política de subsídios ao setor açucareiro.

Nada mais que isto. Se os países pobres quiserem fortalecer sua produção de alimentos para consumo e exportação que tratem de investir no agricultor, estimulando ganhos em produtividade, facilitando investimentos e desonerando a pesada carga tributária.

No caso do Brasil, deve proceder de forma oposta ao que vem fazendo.

E que trate de garantir a paz no campo.

Sem avançar na sua política interna, o governo fica sem moral para debitar todos os problemas da agricultura aos subsídios de países ricos e desenvolvidos.

A decisão da OMC de condenar os subsídios americanos ao algodão não terá grande impacto sobre a cadeia produtiva do algodão brasileiro. É válido para qualquer outro produto. Não vamos competir com o tesouro dos Estados Unidos quando não temos uma política de produção que respeite o principal agente do sistema, o produtor


LEITURA DINÂMICA

- O presidente da Embrapa pode deixar o cargo, apesar de competente e contar com apoio da comunidade científica.

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria admitindo que errou ao ''partidarizar'' a direção da Embrapa.

- Lula teria admitido, também, que o novo presidente deveria ter um perfil técnico afinado com a nova orientação do governo para o setor - conforme a Agência Estado informou ontem.

- A nova orientação iria contemplar mais a parte técnica e deixaria de lado o aspecto ideológico.

- A notícia inclui o termo ''resgatar a Embrapa como um grande centro de excelência em pesquisas..''

- A colocação é no mínimo estranha, afinal a Embrapa é um grande centro de excelência. E se o Brasil é o grande produtor de soja - para citar apenas um produto - muito deve à tecnologia gerada pela Embrapa.

- O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, teria gostado da disposição de Lula de substituir o presidente da Embrapa.


DROPS

Milho perde força

Surpreendentemente, o mercado do milho perde força, apesar da redução da oferta e dos dados sobre quebra da produção. Os preços no interior, ontem, giraram variaram entre R$ 22,00 e R$ 22,50/saca. Mercado esteve mais ativo no Oeste e Sudoeste. Fraco nas demais regiões.

Milho Paranaguá

No Porto de Paranaguá, houve indicações de preços na faixa de R$ 23,50 e R$ 24,00/saca. Analistas de mercado acham que se os embarques aumentarem nestes dias poderá alavancar os preços do produto, com apoio das estatísticas. (Veja mais na matéria sobre perdas de safra).


Quebra repercute na Bolsa

As cotações da soja cederam ontem na Bolsa de Chicago. Contratos futuros foram pressionados para baixo em função da realização de lucros contabilizados no fechamento de ontem e com recuperação. No final da sessão, houve reação diante das notícias sobre novas estimativas de quebra de safra no Brasil.


Posição da indústria

Contratos para o próximo mês foram cotados a US$ 9,965/bushel (US$ 21,9687/sc. de 60 kg). Especialistas norte-americanos defendem que deverá ocorrer nos próximos meses um reposicionamento da indústria esmagadora de soja perante a quebra da safra 2003/04 da cultura em questão.


Estoques apertados

Com relação aos Estados Unidos, a valorização dos preços da commodity e também os estoques apertados deverão juntos restringir as exportações neste ano, conforme análise da FNP, ontem. A projeção de aumento da área plantada naquele país para a safra 2004/05 será ainda insuficiente para restabelecer um quadro mais folgado de abastecimento e deverá proporcionar ao Brasil.

Indicador médio, ontem

O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 52,56/saca, alta de 0,04% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,82/saca, baixa de 1,05%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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