A força do atacado

As empresas que operam no atacado e na distribuição de mercadorias detêm mais da metade do abastecimento do mercado. O resultado final da pesquisa 'Ranking 2004 de Atacadistas e Distribuidores', encomendada pela Associação dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos (ABAD) está mostrando que este segmento da economia já representa exatos 51,1% das vendas totais do varejo para o consumidor final. Houve um aumento real de 5,4% em relação a 2002. Nos últimos dois anos, descontada a inflação do período, o atacado cresceu real de 17,44%.

O faturamento nominal do atacado/distribuidor - nas vendas ao consumidor, a preços de varejo - atingiu R$ 64,1 bilhões. O crescimento nominal foi de 21,4%. Em 1991, o setor detinha 30,6% de participação do mercado e, assim, frente aos resultados de 2003, atinge um crescimento de 67,6% em pouco mais de uma década.

O faturamento das 235 empresas do Ranking totaliza R$ 17,619 bilhões. Segundo cálculos da ACNielsen, o montante representa 34,5% do faturamento do setor. Forneceram seus dados atacadistas/distribuidores dos 24 estados onde a ABAD - Industrializados - mantém filiadas estaduais e do Distrito Federal. A Paraíba, a mais nova das filiadas, faz a sua estréia no Ranking com duas empresas.

O grupo de empresas que compõem o Ranking 2004 conta com uma força de vendas composta por 22.272 pessoas, das quais 3.407 contratadas e 18.865 são representantes comerciais. A frota utilizada é de 15.115 veículos, entre próprios e terceirizados.

Outros dados apontam que o pequeno varejo, ou loja de vizinhança, que congrega cerca de 800 mil pontos de venda no Brasil, encontra-se, agora, capacitado e modernizado. Ganhou a preferência do consumidor por estar mais perto de suas casas e oferecer maior variedade de produtos. Os pequenos tornaram-se, também, mais competitivos em preço, como demonstram pesquisas recentes do Procon e da ACNielsen.


LEITURA DINÂMICA

- Não bastassem as vendas de lotes, a lenta e decantada reforma agrária do governo Lula, enfrenta mais um problema.

- É que a CPI da Terra do Congresso aprovou ontem a convocação da ministra Ellen Gracie Noortfleeth, do STF, para depor sobre a acusação de ter legislado em causa própria.

- Ela anulou a desapropriação da fazenda Southall, no município de São Gabriel (RS), para beneficiar parentes. A denúncia feita pelo presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno,

- A ministra é casada com o primo da mulher do proprietário da fazenda, Alfredo Willian Losco Southall. Pelo grau de parentesco, informou o bispo, a filha de Ellen poderá vir a ser beneficiária da herança.


DROPS

Soja tem forte alta

O pregão de ontem da Bolsa de Chicago encerrou em forte alta impulsionado pela agressividade das compras dos fundos. O contrato com vencimento previsto para maio negociado na CBOT fechou a US$ 10,03/bushel (US$ 22,11/sc). A valorização acumulada na semana é de 3,72%.


Safra americana será menor

Além das compras dos fundos de commodities - que vinham ofertando papéis -, o interesse dos agricultores norte-americanos pela safra de milho (sugerindo redução da área da soja) também exerceu certa especulação em favor da demanda por contratos da soja.


O que diz a Oil World

Para a consultoria norte-americana Oil World, a escassez de produto nesta temporada pode ser ainda maior do que o mercado vem projetando. A safra sul-americana vem apresentando reduções seguidas e ainda não há um quadro definido. A Oil World projeta uma produção mundial de 187 milhões de tonaldas e um consumo de 197 milhões de t. Números bem diferentes do USDA que prevê produção de 193,4 milhões de t.

Detalhe: os números do USDA às vezes são contestados.


Mercado interno

Segundo a Granoeste, de Cascavel, e a FNP Agroinformativos, de São Pualo, a expressiva alta na Bolsa de Chicago combinada com uma câmbio firme (comercial R$ 2,916/R$ 2,918 e paralelo a R$ 2,910/R$ 2,980), conseguiu elevar as bases internas entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por saca acima dos preços praticados na segunda-feira.


Indicador no Paraná

O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 52,54/saca (+2,06%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,01/saca, ganho de 1,87%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.


Tendência

A FNP entende que no decorrer dos próximos quatro meses deveremos acompanhar um ''vazio'' da oferta e um comportamento muito volátil das cotações visto que a especulação sobre a safra norte-americana e a movimentação dos compradores num ambiente de pouca oferta disponível é que vão ditar o mercado no curto prazo.

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