OSWALDO PETRIN
Estatísticas em xeque
O IBGE está procurando mostrar o seguinte: entusiasmado com a redução dos juros (que redução?), os brasileiros estão demandando mais alimentos e bens de consumo em geral. E aí vêm os dados sobre crescimento do consumo entre fevereiro e março.
Isso derruba a tese de que o brasileiro cortou certos alimentos da lista de compras - como ocorreu no ano passado. O IBGE publica números positivos também a respeito das vendas do setor alimentício. Aí vem a indústria e nega que houve recuperação. Analistas também questionam os dados.
Pelas contas do IBGE, houve uma alta de 4,92% no volume de vendas de supermercados e hipermercados em fevereiro sobre igual mês de 2003. Em relação à receita nominal, a alta foi de 8,84% - a taxa real descontada a inflação atinge 4,37%.
Dias atrás, o setor atacadista e de transportes, informou que o movimento caiu mais de 3% este ano. Este é um forte indicador de queda no consumo.
Também os fabricantes - de alimentos - informam que ocorreu uma retração de 3,33% no faturamento real da indústria em fevereiro em relação a igual período do ano passado.
IBGE hilário, conseguiu ver queda nos juros.
LEITURA DINÂMICA
- Onda de invasões pelos sem-terra, em várias regiões; onda de invasões pelos sem-teto, em São Paulo; conflito entre índios e garimpeiros; cenas de selvageria numa rebelião em Rondônia.
- Mas o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, nega clima de falta de autoridade no País.
- Tudo normal. Segundo ele, o estado de direito está absolutamente mantido. O presidente faz questão disso e o ministro da Justiça, também. Então, não há nenhuma quebra de autoridade.
- No caso dos índios eles agiram em ''legítima defesa da terra''.
- Especialistas em mercado agropecuário não acreditam que a redução das safras de milho e soja possam exercer influência direta nos preços.
Mas admitem que pode haver especulações no segundo semestre. O abastecimento de óleos derivados (no caso da soja, que representa mais de 95%) não será afetado.
DROPS
Preços dos insumos
O produtor Elias Luiz, de Santo Antônio da Platina, liga para a coluna e faz a seguinte comparação: em abril do ano passado, a arroba do boi no Norte Pioneiro, foi comercializada a preço aproximado de R$ 57,00. No mesmo mês a uréia valia em torno de R$ 28,00 (saca de 50 kg); o sal mineral R$ 25,00 (saca de 30 kg) e o farelo de soja entre R$ 37,00 e R$ 38,00 (50 kg).
Inversamente proporcional
Neste mês, um ano depois, a arroba do boi na região está valendo R$ 54,00. No entanto, a uréia passou para R$ 48,00, mesmo preço do farelo, e o sal mineral passou de R$ 25,00 para R$ 34,00/saca. Elias Luiz tem um confinamento de pequeno porte. Apesar dos custos, a atividade ainda deixa lucro. Mas, com certeza, não é o melhor momento da pecuária de corte.
Quebra na soja é maior
Queda de 17,2% na soja é surpresa. A produção brasileira de soja 2003/04 está cada vez mais longe do recorde de 59 milhões de toneladas. Segundo o levantamento da AgRural, divulgado ontem pela empresa de consultoria do Paraná, a produção da safra, que está sendo colhida, vai ficar abaixo dos 50 milhões de t.
Se os dados da AgRural se confirmarem (a colheita está bem adiantada), já é possível afirmar que a produção deste ano ficará próxima de 49,26 milhões de t.
Paraná perde 14,5%
A produção dos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul ficou muito abaixo do esperado. A região Sul foi a mais prejudicada. Os produtores enfrentaram estiagem nos três primeiros meses do ano. Pelos dados da AgRural, a safra paranaense foi reduzida de 11,8 milhões para 10,1 (-14.5%). A quebra no RS foi maior: 42%.
Clima não ajudou
Comentário dos técnicos que fizeram o levantamento: Considerando os danos causados pelo clima, este resultado pode ser considerado até certo ponto animador. Em algumas regiões, o problema foi o excesso de umidade e, em outras, um longo período de estiagem. O clima foi, portanto, o fator determinante para esses números negativos.
Outro problema já apontado pelos técnicos do governo foi a ferrugem da soja.
Mato Grosso também perde
Mato Grosso, maior produtor, também terá quebra de safra. Prevista inicialmente em 15,65 milhões de t, a safra mato-grossense cai para 13,7 milhões. Outros Estados prejudicados foram Mato Grosso do Sul e Goiás.
Oil World tem seus números
O relatório Oil World estimou a produção brasileira de soja da safra 2003/04 em 52 milhões de t, ante a estimativa inicial de 55 milhões. O relatório informou que também houve quebra de produção na Argentina onde se estima uma safra de 34 milhões de t.
Cotações na Bolsa
O contrato com vencimento previsto para maio negociado na CBOT fechou a US$ 9,5275/bushel (US$ 21,0042/sc), desvalorização de 1,7%. A Bolsa não repercutiu, ainda, os novos números da quebra das safras brasileira e argentina. Isto pode acontecer ainda esta semana. Mas o mercado no Brasil, sem expediente hoje, não refletirá possível alta.
Indicador médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 50,62/saca, baixa de 0,53% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,29/saca, queda de 1,20%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





