Oswaldo Petrin
-O Confaz resolveu prorrogar até abril de 99 a isenção do ICMS sobre operações interestaduais de insumos (notícia acima). A dúvida é saber se os preços, agora com a volta da isenção, serão remarcados para baixo. Já que é quase tempo de Papai-Noel, pode ser que muitos acreditem.
-Como fica? Com a redução de 20% no porcentual das alíquotas, quem pagava 6% de ICMS passa a pagar 4,8% de imposto. Vale lembrar que a proposta do Governo era a isenção total. Agora o mais importante é que as empresas que promoveram ajustes de preços voltem a situação anterior.
-A isenção prorrogada ontem, na reunião extraordinária do Confaz, estava suspensa desde setembro passado. Esta suspensão provocou um aumento no preço dos insumos, prejudicando o plantio da safra. Agora, todos os preços devem voltar a situação anterior ou até mesmo serem reduzidos.
-Além da alta pela suspensão temporária da isenção, ontem devolvida, os setores produtivos têm que enfrentar os efeitos da crise do mercado acionário. Ontem a Confederação Nacional da Indústria divulgou um balanço muito pessimista. A CNI avalia que os impactos da medida tendem a ser agudos. Isso porque, segundo os empresários, a economia brasileira registrava um cenário diferente quando houve o primeiro choque de juros do real. Em março de 95, o aumento da taxa de juros não foi tão acentuado como agora. Os juros subiram de 3,25% para 4,26% ao mês. Na semana passada, o governo anunciou o aumento da TBC de 1,58% ao mês para 3,05%, o que representa quase o dobro. É consenso que a economia não suporta taxas de juros dessa magnitude por muito tempo, conclui o documento, divulgado ontem pela Agência Folha.
-O consumo interno será reduzido, segundo diagnóstico da CNI. Por causa disso, os empresários esperam que o governo reavalie as medidas adotadas. Eles reconhecem, no entanto, que a queda dos juros será insuficiente para recompor às condições existentes antes da crise das Bolsas internacionais. Mas a entidade elogia a atitude do governo. Foi especialmente relevante para a credibilidade do Plano Real o fato de que o governo foi capaz de adotar uma medida de cunho impopular às vésperas de um ano eleitoral.
-Sobre o consumo: os indicadores industriais mostram que as vendas em São Paulo caíram 1% no último trimestre, em relação ao anterior, e as horas trabalhadas sofreram também queda de 1,9% no mesmo período. O setor de eletroeletrônicos, por exemplo, teve sua produção reduzida em 4,5% no período janeiro a setembro de 97 em relação ao mesmo período do ano passado. Os números apresentados pela CNI mostram sinais de alteração na composição do crescimento do setor industrial, com queda da participação do setor de bens de consumo, principalmente os duráveis.ITR explica
A Sociedade Rural promove dias 8 e 12/11 palestras para esclarecer as mudanças e a forma de pagamento do ITR/97. No dia 8, às 9 horas, falará João Massaruti, especialista em administração Contábil.
Cadastro
No dia 12, às 16 horas, Edelson F. Silva fala sobre reforma agrária, vistoria e recadastramento. As palestras, no auditório Alcover, Parque Ney Braga, serão abertas a todos os interessados.
Preços
Os preços pagos aos produtores subiram 0,43% em outubro, conforme pesquisa do IEA-SP. Em setembro, os preços tinham ficado estáveis. As maiores altas no mês passado foram para olerícolas (21%) e grãos (2,4%).
Consumidor
A elevação dos juros vai pesar no bolso dos consumidores na hora de comprar café. O café adquirido em leilão pelas indústrias vai subir 7%, já que as compras parceladas têm encargos com base na taxa Selic.
Fácil
As cooperativas ganharam um grande presente. O governo vai destinar R$ 2,5 bilhões para saneamento de dívida. FHC está em plena campanha e as cooperativas seriam um forte aliado.





