OSWALDO PETRIN
O fiasco dos juros
O corte nos juros básicos, como sempre em moldes pífios, não passou de mísero 0,25 ponto percentual, abaixo das expectativas mais conservadoras. Mas os economistas oficiais vão dar um jeito de comemorar. Afinal, o corte de metade de meio ponto pecentual na taxa Selic tira o Brasil da liderança das maiores taxas de juro real.
Anualizada e deflacionada do índice de inflação projetado para o ano, a taxa, agora de redondos 16% cai, então, de 10,2% para 10%. Assim, os juros mais altos do mundo estão com a Turquia.
O País continua com taxas bem superiores aos demais países da América Latina, como Chile (2,5%), Colômbia (1,5%) e Argentina (-0,5%). A média geral dos 40 países analisados pela consultoria é de 2,2% e a dos países emergentes, de 4%.
O economista da Global Invest Alex Agostini disse ontem à Agência Estado que, para incentivar investimentos, a taxa de juro real brasileira precisa cair para no mínimo 8% ao ano.
LEITURA DINÂMICA
- A campanha pela eleição da Sociedade Rural do Paraná está na rua, ou, mais apropriadamente, está no Parque de Exposição. A chapa Novos Rumos está aproveitando para fazer corpo a corpo.
- O atual presidente, Edson Neme, também lidera uma chapa.
- Ontem circulou um panfleto com as propostas da Novos Rumos. Há nomes de peso na chapa de Ricardo Strenger, como Gustavo Garcia Cid, e os ex-presidentes Brazílio Araújo Neto, Luiz Meneghel Neto, José Carlos Tibúrcio e Samir Curi.
- As propostas da Novos Rumos tendem a ganhar força à medida em que aumentam as ameaças de invasão feitas pelo Movimento dos Sem Terra (MST). É que Strenger defende atitudes firmes com relação à política.
DROPS
Deságio no boi
Frigoríficos exportadores paulistas tentam ''desagiar'' o boi não rastreado em até R$ 5,00/arroba, segundo a FNP, ontem. Compradores de mercado interno pagam um pouco mais, mas tentam também se aproveitar da situação deprimindo preços. Preço máximo, ontem, no Noroeste do Paraná, R$ 48,00/arroba.
Escala de abate
O mercado não apresenta alteração desde a semana passada. A programação de abate ultrapassa o feriado do dia 21, segundo dados da FNP. Mas o atacado corrige bem os seus preços. Deve prevalecer a tendência de estabilidade de preços.
Exportações crescem
A exportação de carne bovina em março último teve aumeto de 32,4% em comparação com o mesmo período em 2003 e em receita, nada mais nada menos que, 81,2% a mais.
Alta no final do pregão
O contrato com vencimento para maio, negociado ontem, na Bolsa de Chicago (CBOT), encerrou o pregão cotado a US$ 10,13/bushel (US$ 22,33/sc), alta de 4,3%. No mercado interno, a FNP Agroinformativos informou que os preços subiram ligeiramente porque a forte alta no final da sessão da Bolsa não foi assimilada e novos aumentos deverão ser repassados hoje, conforme previu o analista Deives Faria da Silva.
Realização de lucro
Hoje a soja registrou forte alta no final da sessão devido as correções técnicas e compras especulativas por parte dos fundos, realizadas em consideração às quedas das cotações nas últimas duas semanas, em função da realização de lucros.
Reflexo no interior do PR
Os vendedores permaneceram retraídos e ''sentados em cima da saca de soja'', conforme Deives. Na praça de Cascavel foi negociada a R$ 50,50/SC. Os preços no Noroeste, Norte e Norte Pioneiro permaneceram neste patamar ou ligeiramente acima.
Cautela nas vendas
A Granoeste também acusou um dia de pouca movimentação. Boa parte da expressiva alta de Chicago ocorreu no final da sessão não chegando a refletir nos preços internos. Os vendedores prontamente se retiraram do mercado.
No Porto
No Porto de Paranaguá compradores apresentavam indicações ao redor de R$ 54,00, entre R$ 53,50 e R$ 54,50/sc. A variação positiva em relação ao dia anterior, terça, chegou a R$ 1,50/saca. Mesmo assim houve poucos negócios nesse patamar.
Prêmios voltam a cair
No Porto de Paranaguá, os prêmios voltaram a ceder neutralizando, desta forma, parte dos ganhos externos. Ocorreu o que os técnicos do setor chamam de compensação negativa dos ganhos. Aliás, este comportamento não é novidade para exportadores que enfrentaram problemas no embarque de Paranaguá.
Preço médio em lotes
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 51,26/saca, alta de 1,00% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,75/saca, ganho de 1,20%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





