Mediocridade à prova


A decisão do sisudo Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros básicos, a taxa Selic, deve revelar, hoje, de novo, a mediocridade da política econômica do Governo, receita do FMI, seguida ao pé da sigla.

Ridículo mesmo são as apostas dos economistas. Ficam achando que o Copom vai 'ousar' reduzindo a taxa em mais de 0,5% (está em 16,25% ao ano).

Argumento: a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, ontem, ''reacendeu a esperança'' de que o Copom corte a taxa em 0,5 ponto porcentual na reunião que termina hoje, quarta.

O indicador apontou uma inflação de 0,06% na primeira quadrissemana de abril, índice mais baixo em primeiras prévias desde agosto de 2003 e bem inferior às previsões de analistas.

Para os analistas, a nova pesquisa industrial do IBGE, que mostra uma desaceleração mais forte a partir de dezembro, reforça a tendência do Copom cortar 0,25 ponto, em vez de deixar a Selic inalterada, uma decisão que - para alguns - seria mais acertada.

Detalhe: míseros percentuais nos juros básicos não alteram nada a recessão que analistas não enxergam, empresários fingem que não sentem, e a imprensa escamoteia.

LEITURA DINÂMICA

- A inoperância do Incra conseguiu unir, ontem, opiniões de dois extremos, o líder do MST e o presidente da UDR. Tanto Luiz A. Nabhan como João Stédile concordam que o Incra é ineficiente.

- Stédile acusou o órgão de ser incapaz de promover a reforma agrária, que não anda, dando origem à violência.

- Os produtores estão vivendo em 'estado de pânico' diante da decisão do Movimento dos Sem-Terra (MST) de intensificar as invasões de áreas produtivas.

- Foi o que disse, ontem, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), ao depor na CPI da Terra, no Senado.

- Ele acusou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e os dirigentes do Incra de ''compactuarem'' com o MST.

-''O que estão fazendo hoje é infernizar o campo. Nós, os responsáveis por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e por 42% da balança comercial, somos as vítimas'', alegou.

- Antes de deixar o Congresso, em entrevista à Agência Folha, Nabhan defendeu novamente a prisão do coordenador nacional do MST pela iniciativa de ''infernizar'' o País com invasões.



DROPS

Canadenses de olho no Brasil

O maior jornal agrícola do Canadá, o semanário Western Producer, dedicou matéria de capa para falar da agricultura brasileira. Relata as impressões de um grupo de canadenses e americanos que visitou o Centro-Oeste. O produtor canadense Rick Strankman, da província de Alberta, se animou com o preço das terras e disse que ''talvez, não seja uma má idéia investir no Brasil''.


Americanos também

''O retorno pode ser imenso no Brasil, mas os riscos também são imensos'', alerta Ron Obermoller, presidente da Associação dos Produtores de Milho de Minnesota.


MST assusta

Os riscos a que Obermoller se refere são as tensões com os sem-terra e índios e a falta de políticas governamentais previsíveis. ''Parte dos custos de nossas terras tem a ver com o fato de termos um governo estável. Se o governo não é estável, então amanhã você pode acordar e não ser mais dono de uma propriedade de 5 milhões de dólares'', avalia Obermoller.


Preço médio em baixa

O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 50,75/saca, baixa de 0,14% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,54/saca, queda de 0,51%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.


Interesse de compra

Pouco interesse de compra no mercado físico da soja, ontem, no Paraná. No Porto de Paranaguá, indicações de negócios entre R$ 53,00 e R$ 53,50 e, no Oeste e Norte, entre R$ 49,50 e R$ 50,50. Mercado fraco.


Estratégia errada

Enquanto que o produtores permaneceram ''sentados em cima da saca de soja'', os tomadores se apresentaram pouco agressivos e desta forma ficou configurada baixa liquidez nas negociações de ontem.


Na Bolsa de Chicago

O contrato com vencimento previsto para maio negociado na CBOT encerrou o pregão cotado a US$ 9,7150/bushel (US$ 21,42/sc (valorização de 0,5%). Perspectivas de reação, só no próximo relatório de exportação do Departamento de Agricultura.


Safra norte-americana

Mas, altas, se acontecerem, não serão significativas. As boas condições de clima no Meio Oeste dos Estados Unidos indicam que o plantio, que começa em maio, deverá ocorrer dentro da normalidade.


Mologni estava certo

Esta acomodação do mercado internacional refletindo no mercado interno - que tende a permanecer estável - está sugerindo que o melhor momento de vender a soja, neste primeiro semestre, já passou. Estava certo o professor Ismael Mologni, de Londrina, um dos poucos analistas que dizem claramente: 'é hora de vender'; ou 'não vendam agora'.


Milho tem mercado firme

Mercado comprador mantém os preços do milho em ascensão. Ontem no Oeste e Sudoeste, variação a partir de R$ 22,00, chegando a R$ 22,70. No Norte e Noroeste mercado firme e no Porto de Paranaguá, acima de R$ 23,00.

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