OSWALDO PETRIN
Renegociar a soja
O mercado da soja terá um período de calmaria, prevêem os analistas. Mas os preços já aumentaram o suficiente para alguns problemas. Veja a notícia divulgada ontem pela Agência Estado: A disparada dos preços da soja em plena safra está confrontando produtores e compradores e deu início a uma série de brigas na Justiça, com fazendeiros pedindo a quebra de contratos firmados com as processadoras do grão no Brasil.
Muitos produtores venderam a soja por meio de contratos futuros em setembro, quando a saca estava cotada a R$ 29, e agora, na hora da entrega, o produto está cotado a cerca de R$ 53 a saca.
Em vez de os preços caírem, como seria natural pelo aumento da oferta na safra, as cotações estão disparando. Em Chicago, o preço da soja está nos maiores níveis dos últimos 20 anos por causa de uma grande quebra na safra americana causada pela seca no Centro-Oeste.
Os produtores querem renegociar preços com os processadores e ameaçam não entregar a produção contratada. Alguns já entraram com processos na Justiça. ''Acredito que haverá uma enxurrada de ações, com base na regra de função social do contrato do novo Código Civil'', diz o advogado Eduardo Diamantino, especializado em agronegócios. No código antigo já havia a possibilidade de discutir um contrato com base na teoria da imprevisão (força da natureza, conjuntura econômica), mas o advogado julga que o novo código facilitará o argumento dos produtores. O artigo de função social permite que, quando um imprevisto tornar excessivamente desvantajoso para uma das partes honrar um contrato, este seja desfeito.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) calcula que, em Goiás, até 25% dos produtores podem romper contratos por causa da venda antecipada de parte da safra a preços bem mais baixos do que os atuais e da quebra de safra com a ferrugem asiática. ''Não queremos esse tipo de briga'', disse o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli. ''Isso não ajuda ninguém. Já ocorreu há uns quatro anos e foi ruim para todos, pois o agricultor pode ter problemas na hora de comercializar a próxima safra.''
LEITURA DINÂMICA
- Paraná perde espaço na produção de mandioca. A Associação Brasileira de Amido de Mandioca (Abam) levou vários problemas ao governo do Estado.
- O secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, vai crair a Câmara Setorial da Mandioca e procurar a Embrapa para fazer convênio para pesquisar a cultura.
- A Abam disse que a decisão foi tomada a partir de um dossiê mostrando os problemas que o Paraná vem enfrentando com a falta de pesquisas e redução do cultivo da mandioca.
- O dossiê aponta ainda a ''consquente redução da oferta de amido'' e que o Paraná vem perdendo posição para outras regiões.
- Em 2001 o Paraná respondia por 75% da produção nacional de amido, caindo para 72% no ano 2002, e 64% no ano passado.
- O dossiê, segundo a Abam, foi montado face aos problemas de doenças da mandioca, que geraram perda de até 20% na produção das lavouras
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DROPS
Cursos do SENAR em maio
Saiu ontem o calendário de cursos do SENAR nos Centros de Treinamento Agropecuários (CTAs) da FAEP em Ibiporã e Assis Chateaubriand. Para informações: e-mail de ibiporã: [email protected], telefones (43)258-2533/258-4070. E-mail do CTA de Assis Chateaubriand: [email protected], telefone: (44) 528-4213.
Entre os cursos, um é sobre administração rural.
Clima de eleição
A Exposição de Londrina será inaugurada oficialmente hoje (portões abertos desde ontem) com o mesmo charme e força de sempre, porém acrescentando um novo componente: o clima de eleição da nova diretoria da Sociedade Rural, na segunda quinzena de maio. A única chapa formada, até agora, é a ''Novos Rumos'', que inclui nomes de três ex-presidentes e outros colaboradores de peso da entidade.
Strenger não quer fusão
O agropecuarista Ricardo Strenger disse ontem que sua chapa está fechada e não fará composição. Ele afirma que os integrantes da ''Novos Rumos'' estão conscientes de que é hora de mudar a postura da entidade e dar um basta as injustiças e distorções sobre o papel dos produtores. É por isso que a chapa não transige no seu ideário de defender com pulso forte o direito de produzir em paz.
Seca preocupa
O que acontece na agricultura mexe com toda a economia. O cenário de safra ruim para soja e milho preocupa a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Automotores). A oferta maior de crédito neste ano poderá, no entanto, compensar a renda menor dos produtores.
Exportação de carne
As exportações de carne bovina in natura em março deste ano somaram US$ 157,5 milhões, 37,7% superior às exportações de fevereiro 91,6% maior que o do mesmo período de 2003. Sabe-se que os preços da carne bovina in natura de fevereiro de 2003 (US$ 1.187/tonelada) para fevereiro de 2004 (US$ 1.624/tonelada), subiram 36,8%. São resultados muito estimulantes para a pecuária nacional, comenta a FNP Agroinformativos.
Soja em Chicago, ontem
A Bolsa de Chicago iniciou o pregão de ontem em alta ao repercutir a redução das estimativas de produção na América do Sul. O contrato com vencimento para maio encerrou o pregão cotado a US$ 10,16/bushel (US$ 22,3986/sc), uma alta de 0,7%. O mercado interno não reagiu à altura. No Porto de Paranaguá, interesse de compra por R$ 55,50/saca para entrega imediata.
Câmbio segura
No Oeste, Noroeste e Norte preços entre R$ 51,50 e R$ 53,00. Veja também os indicadores na página 2. O câmbio baixo não colaborou com as cotações da soja: comercial, R$ 2,870/R$ 2,872; paralelo, R$ 2,900/R$ 2,970; turismo, R$ 2,840/ R$ 2,940.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 52,49/saca, baixa de 0,25% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,28/saca, queda de 0,11%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Dia confuso
A Granoeste, de Cascavel, considerou ''confuso'' o mercado interno, ontem. No Porto de Paranaguá as cotações variaram entre R$ 54,50 e R$ 55,50/saca. Tendência: Previsão dos analistas sobre o mercado da soja: não se deve esperar altas significativas a curto prazo, apesar dos números sobre redução da safra.





