Oswaldo Petrin
-Todas as tendências que se queira conferir, neste momento, de maneira genérica, ao agronegócio, como consequência do crash, não passam de conjecturas. Tudo o que se sinalizou até agora, principalmente em termos de custo financeiro e de preços, são exercícios especulativos. Não se pode tomar como definitivos referenciais e valores hipotéticos. Portanto, nada melhor do que esperar a poeira se assentar.
-Esta é a opinião da analista de mercado de commodities, Vera Velho, da Agriplan, entrevistada ontem por este jornal. Ela é uma das pessoas que estão preocupadas com a configuração exageradamente especulativa sobre o desdobramento da situação. Tudo está fragilizado porque ainda não se tem clareza do comportamento de cada uma das muitas variáveis que exercem influência sobre o mercado; tampouco do comportamento dos agentes mercadológico ou financeiro que atuam no processo.
-Achar que os juros mais altos na captação vão impactar nos custos internos de maneira tão imediata é como imaginar que um ajuste da moeda em relação à paridade do dolar vá beneficiar as exportações, num momento em que não estamos exportando soja; e reduzimos o embarque de outras commodities agrícolas, como café e suco de laranja.
-Da mesma forma que a técnica em mercado de commodities, Vera Velho, acha que os prognósticos são difusos e precipidados, confundindo operações de rotina do mercado, o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp), Abram Szajman, se diz preocupado com a comunicação dos efeitos das taxas de juros junto aos consumidores, que estão sendo mais assustados do que deviam. Segundo ele, os consumidores das classes C e D não pensam em bolsa de valores e essas compras do cotidiano não estão sendo afetadas. É preciso dar uma acalmada em tudo isso; o alcance dessas medidas é mais limitado do que estão divulgando, argumentou.
-O atual quadro não é desconhecido dos lojistas, e nem dos consumidores, comentou. Essa taxa é a mesma de antes de abril do ano passado, quando o governo baixou as restrições ao crédito e tinha limitações de parcelas, disse. Na sua interpretação, o consumidor quer saber se a prestação cabe no seu bolso. O problema maior é a renda do consumidor. Outro problema do varejo: não há espaço para o repasse de juros, porque o comércio está em concorrência brutal.
-No entanto, o próprio líder dos lojistas está admitindo que as negociações com as indústrias estão difíceis. As vendas de Natal devem cair 10% em relação ao bom movimento do ano passado e o varejo está adiando as encomendas ou, então, eliminando alguns itens. Alimentos
Os alimentos voltaram a subir. Segundo o Imes-SP, que acompanha o custo de vida no ABC paulista, os alimentos subiram 0,43% em outubro, após queda de 0,7% em setembro. A média pode ser extrapolada para outras regiões.
Café
O preço do café recuou ontem no exterior. Na Bolsa de commodities de Nova York, o primeiro contrato foi negociado a 114,1 centavos de dólar por
libra-peso. Veja média do fechamento nesta página.
Café 2
O mercado interno seguiu o externo. As cooperativas pagavam ontem, em
média, R$ 192/saca para os produtores. A queda foi de 2% no dia, mas acumula redução de 5% nos últimos 30 dias.
Frango
A cotação do frango vivo estava em R$ 0,70/kg no início de outubro. Terminou o mês em R$ 0,60, diz a APA (Associação Paulista de Avicultura). No ano passado o quilo estava em R$ 0,79.
Ovos
O preço dos ovos também recuou em outubro. A caixa com 30 dúzias foi
negociada a R$ 14,11 na granja, contra R$ 15,40 em setembro. Em outubro do ano passado o preço da caixa era de R$ 13,32. (Agência Folha).





