Publicídio à brasileira


A farsa da propaganda do governo federal, montada para divulgar a agricultura familiar, deveria, pelo menos, abrir o debate sobre as portentosas verbas destinadas à propaganda oficial. São valores altíssimos, que transparecem nos orçamentos de forma dissimulada ou muito discretas.

O objeto das campanhas também deve ser questionado e regulamentado em lei. É ilusório achar que os governos vão usar essa grana toda em campanhas educativas ou institucionais. Invariavelmente, tanto dinheiro tem como destino a promoção política, quando não pessoal.

Dinheiro na mídia significa espaço para tagarelices nos telejornais.

Qualquer que seja a forma, tanto gasto abeira ao acinte, ao abuso, num país com tantos miseráveis. A campanha da Petrobras, ainda em curso, é o exemplo mais recente. Tantas inserções em horário nobre da televisão chegam a se tornar cansativas.

Mas, já que o gasto é incorrigível, que pelo menos se questione a honestidade do conteúdo. Tarefa do Conar - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária.

A armação de Duda Mendonça saiu do ar. Mas o custo não tem volta. Pelo contrário, agora o erário vai pagar uma nova campanha. Quem sabe desta vez prevaleça o slogan da campanha ''O trabalho sério já começa a dar resultado''.

O episódio todos conhecem: o governo precisava de um cenário bonito para mostrar o que tem feito para a agricultura familiar. Alugou, então, no interior de São Paulo, uma fazenda particular de grande produção de legumes. A fazenda está fora do Pronaf e não tem nenhuma atividade em parceria com o governo. Os personagens são funcionários da fazenda; nada têm a ver com os beneficiários do Proanaf (que, aliás, justiça seja feita, são muitos).

A agência de publicidade, contratada pelo governo, pagou R$ 50,00 para cada trabalhador que participou das filmagens. (Muito pouco: eles foram mais explorados como ''artistas'' do que como trabalhadores).

As informações sobre a farsa são da Agência Folha e foram publicadas inicialmente na Folha de São Paulo, que fez a denúncia, na segunda-feira.

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LEITURA DINÂMICA


- O enfraquecimento do mercado para raças de gado européias transparece até nas importações de sêmen, conforme relatório sobre a demanda de sêmen, divulgado ontem.

- O mercado sêmen bovino cresceu 5,61% em 2003. A evolução de sêmen nacional e importado foi de 10,70% e -8,11%. Considerando os números de 1999 a 2003, houve um crescimento de 34,21%.

- Segundo o presidente da Associação de Inseminação Artificial, Heverardo Rezende, apesar do aumento das vendas de sêmen, ''tem ocorrido, nos últimos anos, uma queda do sêmen importado''.

- A queda do importado foi de 8,11%. Diretores da Asbia debitam esta queda à menor utilização de sêmen de raças européias para cruzamento. O mercado está com estoque encalhado.

Mas observam: para o cruzamento industrial alcançar os resultados esperados não pode acontecer uma simples ''misturas de raças'', mas um cruzamento orientado.

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DROPS

É hoje!

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulga hoje dois relatórios que devem exercer influência sobre os preços da soja: um sobre plantio da nova safra de verão e o relatório mensal sobre exportações norte-americanas.


Previsão de área

Com relação a área plantada a expectativa média dos analistas é de ela deve crescer 1,5% sobre a área de 29,706 milhões de hectares no ano passado, um aumento de 446 mil ha. O avanço da área plantada com soja nos EUA é limitado pelo milho e algodão.


Estímulo ao etanol

Como lembrou, dias atrás, a FNP Agroinformativos, nos últimos anos, os EUA investiram pesado em infra-estrutura para a produção de etanol a partir do milho. Além disso, elevados subsídios e incentivos a esta cultura foram aprovados nas últimas safras estimulando a produção.


Expectativa no mercado

Na véspera da divulgação, o mercado futuro da Bolsa de Chicago e o mercado interno brasileiro apresentaram reações diferentes. O contrato com vencimento previsto para maio próximo encerrou o pregão em ligeira alta de 0,32%, cotado a US$ 10,17/bushel (US$ 22,42/sc de 60 kg).


Pressão vendedora

Já no mercado interno houve forte pressão vendedora em razão do maior volume de fixação de preços por parte de produtores. O afrouxamento das bases de preços em meio à queda dos últimos dias em Chicago; o recuo do câmbio e a queda de prêmios, criaram um sentimento de queda nos próximos dias.


Preços da soja, ontem

Negócios no Porto de Paranaguá, ontem, entre R$ 54,50 e R$ 55,30. Nas demais praças do interior, ligeiro recuo. Em Ponta Grossa, R$ 53,50; em Maringá, R$ 53,00; em Cascavel, R$ 52,00.


Indicador médio

O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 52,33/saca, baixa de 0,98% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,99/saca, em alta de 0,06%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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