OSWALDO PETRIN
A crise no Porto
O fim da greve no Porto de Paranaguá, anunciado ontem pelo Sindicato dos trabalhadores, não estanca os prejuízos acarretados ao agronegócio soja, principalmente ao segmento da produção, exatamente o mais vulnerável e também o transferidor de rendas para os segmentos industrial e comercial.
O episódio do Porto tem consequências mais amplas. Uma idéia de sua dimensão está na informação (ontem, no ''Bom Dia Paraná'') do assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. Segundo ele, o volume de soja sobre os caminhões que esperam na fila da BR 277, é suficiente para lotar dois navios.
Logo, o raciocínio remete para o preço do atraso de 51 navios, que aguardam para atracar. Não é à toa que o episódio teve repercusão na Bolsa de Chicago. Carlos Augusto - que é técnico - apresentou dados mais contundentes sobre as consequências da falta de logística e eficácia no Porto de Paranaguá.
E por mais expressivos que sejam os números desse estrago, não se pode ignorar a questão social. Na verdade, a condição desumana a estão submetidos motoristas de caminhões. A preocupação é se o fim desse cenário horroroso não fica apenas na contagem dos prejuízos e tudo volta ao normal, ou seja ao anacronismo e marasmo de sempre. Mudanças devem ocorrer com urgência.
Que o episódio - e os prejuízos dele decorente e ainda não contabilizados - sirvam, pelo menos, para despertar uma consciência profissional nos administradores. É o mínimo que se espera, para que o ano que vem não tenhamos espetáculos deprimentes.
Quanto ao prêmio negativo que o segmento soja teve que amargar, esse não tem recuperação. Se já não bastasse a rapinagem atribuída ao oligopsônio da comercialização. Não fosse ele, os preços ao produtor poderiam ficar entre R$ 59,00 e R$ 60,00 pois as cotações em Chicago comportam esse repasse, como nos mostram cálculos do analista Ismael Mologni.
LEITURA DINÂMICA
- As exportações de couro subiram 5% em receita, para US$ 174,6 milhões, e 11% em volume, para 50 mil toneladas, nos primeiros dois meses do ano, informou a Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (AICSul).
- Mas o presidente do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), Amadeu Fernandes, diz que já se percebem os primeiros sinais de perdas com a redução da alíquota, de 9% para 7%, no couro wet blue (no primeiro estágio de tratamento).
- Nos couros de maior valor agregado (acabados), o crescimento no período foi de 28% em receita e de 36% em volume.
- Em entrevista à Folha Rural deste sábado, o empresário Ywao Miyamoto, presidente da Comissão de Grãos da Câmara Setorial de Trigo, aponta um mercado otimista para o cereal.
- O Brasil deve exportar trigo porque a imagem do produto no exterior melhorou muito. Hoje o mercado sabe que o Brasil produz qualidade e tem uma classificação definida.
- Miyamoto dá uma série de ''dicas'' sobre escolha de variedades para classes diferenciadas de grãos industriais. O preço está em ascensão.
DROPS
CPR de boi tem R$ 50 mi
O Banco do Brasil e o frigorífico Friboi assinaram convênio de R$ 50 milhões para a aquisição de Cédulas de Produto Rural física de boi gordo pelo BB diretamente de produtores rurais e cooperativas. O Friboi fará a recompra dessas CPRs. Com o convênio, os pecuaristas fornecedores do frigorífico passam a ter uma nova alternativa de crédito para custeio de sua atividade (Agência Folha).
Soja/Paraná, preço médio
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 54,90/saca, alta de 0,11% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,74/saca, queda de 0,37%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Mercado interno confuso
No mercado interno o dia foi confuso, informa a Granoeste. A perspectiva de normalização as atividades portuárias está trazendo alívio ao setor, mas não foi ainda capaz de colocar traders e indústrias no mercado, o que so deve ocorrer no início de abril.
Porto derruba Chicago
Depois de chegar a 8 cents/bushel de alta no início do pregão de ontem, a cotação da soja na Bolsa de Chicago fechou em queda acentuada. O contrato com vencimento previsto para maio deste ano encerrou o pregão em -2,71%, a US$ 10,25/bushel. Segundo análise da Granoeste, a queda foi uma resposta à forte ação vendedora dos fundos de commodities. Operadores especulavam que parte dos gtanhos dos últimos dias se deve à paralisação do Porto de Paranaguá. Com o retorno à normalidade, houve oferta de papéis.
Relatório do USDa
O quadro de oferta e demanda segue apertado. O relatório do USDA do próximo dia 31 vai versar sobre fundamentos como área de plantio da nova safra e volume de estoques remanescentes nos EUA. ''O mercado está muito volátil nestes dias em que os preços estão próximo dos máximos históricos'', afirmam analistas.
EUA moem menos
O relatório do Census GBureau de hoje deverá mostrar uma queda no esmagamento
de soja nos Estados Unidos, mas em contrapartida vai apontar também um aumento dos estoques mensais de óleo e farelo.
Preço Paranaguá
Apenas indicações de compra em Paranaguá a R$ 58,00. No Oeste e Norte houve poucos negócios. Veja mais nos indicadores da página 2.





