Governo atrapalha

Com muita frequência, órgãos de governo e empresas divulgam relatórios sobre o crescimento do agronegócio, tendo na ponta a agricultura de grãos oleaginosos e outros puxando o processo, ou a cadeia produtiva e alimentar. As autoridades comemoram (como se fossem elas as produtoras) e a riqueza é distribuídas pela economia: indústrias de máquinas, insumos em geral, indústrias de transformação, etc.

No campo também, a agricultura gera empregos, distribui renda, mantém o comércio das pequenas cidades oxigenado.

As gôndolas dos supermercados também estão abarrotadas de produtos vindos de outra agricultura, a do abastecimento, que não exporta mas é geradora de comida, a baixo custo, e empregos.

Uma agricultura tão pródiga e distribuidora de rendas merecia ter um governo que viesse a público para anunciar inagurações de obras de infra-estrutura a facilitar a vida de quem produz.

O que se vê é o contrário. Os governos só aparecem para ''apagar'' em crise (e nem sempre conseguem), como ontem o ministro da Agricultura.

Roberto Rodrigues - diz uma nota - espera que as dificuldades para reestruturação de carreiras dos fiscais federais agropecuários sejam resolvidas em menos de dez dias.

É bom, pelo menos assim eles voltam ao trabalho e o governo, de novo, deixa de ser o estorvo na atividade econômica.

No mais, é só acompanhar os acontecimentos em Paranaguá.



LEITURA DINÂMICA

- Apesar da má gestão no que compete a governos, as receitas com soja continuam na liderança da balança. Nas três semanas de março, as médias diárias somam US$ 30 milhões, 23% sobre as de março de 2003.

- Rumores de que a Seara Alimentos - especializada em aves, suínos e carnes processadas - pode ser vendida para a Sadia ou a Cargill ganharam força ontem na Bolsa de Valores de São Paulo.

- Em nota enviada à Bolsa, a Seara admitiu que está analisando ''diversas opções estratégicas'', mas que ''até o momento'' nenhuma decisão foi tomada.

- A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMRa) promove, no dia 29 de março, o seminário ''Safra 2003-2004: Realidade e perspectiva''.

- Vai discutir o impacto do cenário macroeconômico do País no agronegócio e apresentar os mercados mais promissores dentro do setor, abordando a questão tecnológica.

- Será no Auditório da Editora Globo, av. Jaguaré, 1.485, 7º andar, em São Paulo, com patrocínio da Cargill e apoio da CMA - Safras & Mercados e Agência Estado.

- A taxa de inscrição é de R$ 100,00 para sócios da ABMRa e R$ 200,00 para não-sócios. Inscrição: e-mail: [email protected] (11) 3812-7814 / 3814-0491.




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DROPS

Soja/Chicago: nova alta


Mais uma vez o mercado futuro da Bolsa de Chicago não saiu ileso, ontem, aos desmandos no Porto de Paranaguá, porém o reflexo desta vez foi menor. Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram o pregão de ontem em forte alta. O contrato para maio foi cotado a US$ 10,56/bushel (US$ 23,28/sc, variação de 3,1 pontos percentuais.

Brasil fora do mercado

Mas o Brasil ficou fora do mercado internacional. Esta foi uma constatação de diversos traders que, em razão disto, não apresentaram interesse de compra. A análise é de técnicos da Granoeste, de Cascavel. Em Paranaguá houve apenas indicações de compra entre R$ 57,80 e R$ 58,00/saca. Veja ao lado preços nas demais praças e a seguir indicadores.

Brasil fora do mercado 2

A paralisação do Porto de Paranaguá está deixando o mercado brasileiro sem tomadores externos num momento em que é necessário um rápido escoamento da produção. O volume colhido, em termos nacionais, chega a 30%, conforme acompanhamento de empresas de consultoria.

Indicadores médios

O mercado interno iniciou novamente a semana firme e pouco ofertado. Muitos produtores assumiram uma posição altista e decidiram adiar a comercialização da produção remanescente. O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 55,30/saca, alta de 2,07% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 18,98/saca, alta de 1,66%.

O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Argentina produz menos

A Bolsa de Cereais da Argentina informou à FNP Consultoria & Agroinformativos que a colheita da soja safra 2003/04 naquele País atingiu 4,3% da área de 14,348 milhões de ha. A produtividade é menor: 2.170 kg/ha (média da safra anterior foi de 2.793 kg/ha). No mesmo período do ano passada haviam sido colhido 10% da área plantada.

O que mais interessa é volume de produção este ano: 34,7 milhões de toneladas, ante 34,8 milhões na anterior. Segundo o último relatório do USDA, a Argentina deverá produzir 36,5 milhões de toneladas.

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