Ministério contesta informação sobre trigo


A propósito de informação divulgada ontem, nesta coluna, sobre ausência de política para a safra de trigo deste ano, o Ministério da Agricultura (MAPA) enviou relação de medidas adotadas pelo governo. Uma dessas medidas, anunciada pelo técnico Ivan Wedekin, secretário de Política Agrícola, é a criação de linha de crédito de R$ 50 milhões para o pré-custeio. Com taxa de 8,75% ao ano, o dinheiro se destina à compra de sementes e fertilizantes.

Objetivo: estimular o aumento da área em pelo menos 10%. Com isso, ela passaria dos 2,3 milhões de ha da safra 2002 para quase 2,6 milhões este ano. De acordo com o MAPA, a cadeia produtiva do setor acha que é possível elevar a produção de trigo de 2,9 para 4,5 milhões de toneladas. Fechamos a safra passada em 5,85 milhões de toneladas de trigo.

O Mapa menciona outra medida, anunciada pelo ministro no dia 30 de outubro do ano passado. Produtores de trigo, moinhos, cooperativas e beneficiadoras passaram a contratar financiamento da Linha Especial de Crédito de Comercialização (LEC), uma espécie de Empréstimos do Governo Federal (EGFs) com menos burocracia e sem limites.

Os contratos poderão ser feitos até agosto de 2004, com prazo de pagamento de 180 dias e juros de 8,75%. O preço base para o financiamento é de R$ 400 por t na região Sul e R$ 450 no Centro-Oeste, Sudeste e Bahia. Ele anunciou ainda o lançamento de contratos de opção para 1,5 milhão de t de trigo - 300 mil no Paraná e 300 mil no Rio Grande do Sul, com preço de exercício fixado em R$ 440 a t e vencimento em 15 de janeiro.

Outras medidas foram os leilões de contratos de opção de venda
de trigo. Foram 18,6 mil operações só no Paraná (270 mil t), com preço de exercício de R$ 440/t.


LEITURA DINÂMICA

- Na próxima quinta-feira, dia 25, às 13h30, técnicos da Embrapa, Coodetec e Monsanto vão se reunir em Wenceslau Braz, no 4º Dia de Campo sobre manejo de soja da Estância Olímpia.

- O engenheiro agrônomo Alexandrino Tourino Loyola, proprietário da lavoura, avisa: o Norte Pioneiro que detém a melhor tecnologia em produção de feijão, agora busca eficiência na soja.

Informações (43) 528-1948 ou (43) 9979-0440.

- A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre juros (matéria neste caderno) foi mais uma vez ridícula. Assim a economia não anda, a recessão aumenta e o desemprego leva à miséria e à violência.

- A taxa de juro real (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) do Brasil continua a maior do mundo, apesar do corte de 0,25 ponto porcentual na Selic promovido ontem pelo Copom.

- Segundo a consultoria Global Invest, na Agência Estado, ontem, o País tem a liderança absoluta do ranking das maiores taxas de juro real do mundo, com 10,6% ao ano, bem distante dos demais países da América Latina.



Drops


Rigor no Sisbov
O Ministério da Agricultura avisou ontem que começará na próxima semana as auditorias para verificar se as normas de implantação do Sistema de Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) estão sendo seguidas corretamente. Fiscais federais promoverão auditorias de conformidade do Sisbov.


Nas fazendas
Os auditores visitarão fazendas, frigoríficos e certificadoras para conferir como está a implantação do Sisbov. Haverá um calendário de auditorias. O treinamento dos fiscais, iniciado na última segunda-feira, termina na próxima sexta-feira. Eles vão auditar todo o sistema e serão rigorosos, diz Denise Euclydes Mariano, coordenadora do Sisbov.


Importância econômica
O Sisbov visa rastrear a origem do animal, criando condições para a certificação do rebanho. Cerca de 14 milhões de cabeças de gado estão cadastradas no Sisbov. O rastreamento é uma exigência do mercado internacional. Maior exportador em 2003, com faturamento de US$ 1,5 bilhão, o Brasil está implantando o sistema.


Cotações da soja
Os preços futuros dos contratos de soja negociados na Chicago Board of Trade encerraram o dia em alta. Contratos para maio foram cotados a US$ 9,94/bushel (US$ 21,91/sc de 60 kg), variação de 0,51%. A realização de lucros pressionou as cotações no início do pregão, porém a redução da estimativa da produção brasileira ditou o tom altista.


Queda no Paraná
A última estimativa da produção de soja no Paraná aponta 10,242 milhões de t (14% menor que o estimado inicialmente). Novas correções para abaixo poderão ser feitas. De acordo com o Deral, 34,2% (1,338 milhão de ha) da área foi colhida até o início desta semana. Cerca de 20,4% da produção foi vendida até o dia 15 de março (2,089 milhões de t).

No Brasil
Cálculos da Céleres, de Uberlândia (MG), divulgados ontem pela Agência Folha indicam que as perdas com a quebra na safra de soja poderão atingir US$ 2,5 bilhões (R$ 7,3 bilhões). Esses valores somam a quebra de safra e os gastos que os produtores tiveram com o combate à ferrugem asiática. Analistas acham que o mercado vai reagir.


Custo da ferrugem
Só o tratamento da ferrugem pode ter custado US$ 1,1 bilhão (R$ 3,2 bi) aos produtores. Esse dinheiro foi uma transferência de renda do setor produtivo. Mas o controle é inevitável. Quem não fez aplicações preventivas teve perdas ainda maiores nos Estados do Mato Grosso, Goiás e Paraná.

do Mato Grosso, Goiás e Paraná.

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