Efeito Cofins


Não foi falta de aviso: a elevação de 3% para 7,6%, a partir de fevereiro, da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) deveria transparecer nos custos dos alimentos e não somente no setor de serviços, conforme mostravam os cálculos naquela oportunidade.

Assim aconteceu. Ontem, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apresentou dados segundo os quais os fornecedores de insumos estão elevando os preços dos produtos para compensar o aumento da Cofins.

Em janeiro, enquanto os custos aumentaram 0,29% na média de nove estados pesquisados, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) e da CNA, o preço caiu 0,89%.

Apesar deste aumento de custos, e da pressão dos pecuaristas para um reajuste, ainda existem dúvidas se esse aumento chegará na mesa do consumidor, em razão da queda da renda do brasileiro, segundo analistas do setor.

O aumento dos custos em janeiro é resultado da antecipação da alíquota maior da Cofins. O levantamento, feito desde março do ano passado em vários estados, incluindo o Paraná, mostra que, de março a dezembro de 2003, os custos totais da pecuária aumentaram 6,9%.

As empresas fornecedoras de insumos sinalizam que aumentaram os preços de acordo com o aumento da Cofins, ou seja, cerca de 4,6%. Entre março e dezembro, os preços da arroba do boi gordo subiram 1,8%.

Os preços dos adubos, mostra o estudo, subiram 1,92%, maior alta para o mês. Os custos com máquinas e implementos agrícolas subiram 1,38%. Na direção inversa, os preços das sementes forrageiras caíram 0,73% no mês, o que mostra que o pecuarista não está investindo na recuperação das pastagens.



LEITURA DINÂMICA

- Câmara Setorial do Trigo marcou ontem uma reunião para tratar da política na próxima deste ano. Será no próximo dia 23, terça, às 10 horas, no Ministério da Agricultura.

- A reunião é um pedido da Frente Parlamentar do Cooperativismo. Ninguém sabe o que o País pretende com o trigo. Estamos na segunda quinzena de março e o governo não sinaliza com programa de abastecimento.

- O secretário de Política Agrícola, Ivan Wdekin, e o presidente da Câmara Setorial das Culturas de Inverno, Rui Polidoro Pinto, também não sabem. Pelo jeito trigo não é importante.

- A Agência Folha, no ''vaivém das commodities'', registra o ''impressionante avanço do Deral no acompanhamento da safra paranaense. O Deral fornece gráficos e tabelas coloridas com o déficit (ou excesso) hídrico.

- E, conforme este jornal registrou, dias atrás os dados do Deral sobre perdas da safra de soja repercutiram na Bolsa de Chicago, puxando para cima as cotações dos contratos futuros.



DROPS

Seminário das Bolsas
O Seminário em Agronegócios que começa hoje, quarta-feira, em Londrina (ver matéria na página 3 deste caderno), deve reunir representantes de 18 bolsas de cereais e mercadorias, incluindo as de São Paulo, Brasília, Nordeste e Centro-Oeste. Destina-se a empresários rurais, investidores, traders e outros interessados no comércio agropecuário.


Centro de negócios
Evento pode habilitar o Paraná como precursor do agronegócio brasileiro e Londrina como centro nacional de comercialização de commodities agrícolas, interligando as bolsas de todos os Estados, através do já existente Sistema Integrado de Bolsas Brasileiras (Sibb). O principal ganho está na agilidade com que os negócios vão fluir.


Tire as dúvidas
Palestras interessantes: 1) Cédula do Produtor Rural (CPR) Física, Financeira, por Mário Cruz, assessor de Agronegócio do BB; 2) Mercado Futuro, por Wilson Motta Miceli, da BM&F; 3) Política Agrícola Brasileira, uma nova realidade, José Maria dos Anjos, do MAPA; 4) Normas de Comercialização, por Mônica Avelar Antunes Netto, da Conab.

Informações: (43) 3324-4004.


Soja/Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 51,54/saca, alta de 2,04% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 17,79/saca, alta de 2,30%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. Os dados sobre perdas da safra provocaram redução na oferta.


Chicago, ontem
As cotações iniciaram a sessão em alta, tendo o contrato com vencimento previsto para maio deste ano atingido o pico de US$ 9,9575/bushel e recuado ligeiramente no final para US$ 9,90 (R$ 21,83/sc), variação de 1,1%. O dólar registrou ligeira alta de 0,14%, para R$ 2,905. O mercado interno esteve comprador, ontem, na análise da FNP.


Milho/atacado
Preço máximo no atacado, ontem: Cascavel, R$ 17,50. Maringá, R$ 17,00. Ponta Grossa, R$ 17,70. No Porto de Paranaguá, R$ 20,00. Houve aumento de preços em relação à semana passada. A procura ainda foi tímida, mas a indústria nacional deve aumentar suas compras ainda este mês. Os preços recebidos pelos produtores não acusaram alta.

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