Recessão no cardápio

Uma observação atenta sobre o comportamento dos principais indicadores econômicos leva à conclusão de que a queda dos preços da cesta básica em fevereiro - divulgada ontem pelo Dieese - só pode ser atribuída à redução do consumo, já que as oscilações dos itens que compõem a cesta são de impacto muito leve. Nenhuma outra variável - que não a baixa demanda - exerceria, pressão sobre os preços, que, aliás, não caíram tanto.

Pelo contrário, alguns itens puxaram a média para cima, caso da batata (+9,90%) e feijão carioca (+8,44%).

Seria paradoxal negar queda no consumo - e, portanto, ignorar a recessão - se um outro indicador, também divulgado ontem, aponta aumento dos cheques sem provisão de fundo, conforme mostra relatório do Serasa, uma espécie de Seproc dos bancos.

A emissão de cheques-sem-fundo, ao lado de outros tipos de inadimplência, sugere falta de poder de compras do consumidor. E revela um comércio sem liquidez, em iminente crise de desemprego.

Voltando ao indicador cesta básica, é preciso ponderar para outro dado, paradoxal: Informa o Dieese que dos 13 produtos que compõem a alimentação essencial mínima prevista para o trabalhador, apenas quatro tiveram aumento em fevereiro. As altas ocorreram na batata (9,90%), feijão carioquinha (8,44%), banana nanica (2,82%) e café em pó (1,48%). O leite in natura tipo C e a farinha de trigo registraram estabilidade.

Outros sete produtos apresentaram retração em seus preços. Os principais destaques foram o tomate, com queda de 19,72% e o açúcar refinado (-17,76%). Também apresentaram redução a manteiga (-4,93%), carne bovina de primeira (-1,61%), arroz agulhinha tipo 2 (-1,52%), óleo de soja (-0,39%) e pão francês (-0,22%).

Mas o indicador cesta básica revela - mais uma vez -a contribuição dos alimentos de origem vegetal e animal para manter a estabilidade econômica. Os preços agrícolas praticamente não evoluíram a não ser altas e baixas decorrente de sazonalidades.

Mercado/soja - Na véspera da divulgação do relatório de exportações estadunidenses e após um dia de fortes perdas, os preços futuros dos contratos de soja negociados na Bolsa de Chicago iniciaram o dia em baixa influenciado pela realização de lucros, porém reverteram o quadro em função do movimento de compra dos traders que baseavam-se na expectativa de perdas no Brasil e na Argentina.

O pregão terminou com preços em alta, tendo recuperado as perdas de terça-feira. O contrato para maio encerrou o pregão cotado a US$ 9,45/bushel (US$ 20,83/sc de 60 kg). As perdas de terça foram atribuídas à decisão da China de cancelar contratos de compra de óleo à última hora. (Fonte:FNP).

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