-Pelos diagnósticos que cada especialista se esmera em ‘‘montar’’ sobre a crise no mercado acionário, e o que vem na esteira dela, chega-se à conclusão demasiado pessimista. É que, em todas essas avaliações críticas há um certo catastrofismo, ‘‘contrabandeado’’ políticamente para dentro da análise, a partir da premissa (nem sempre, convenhamos, verdadeira) de que o aumento das taxas é irreversível e que isto implica em um rastro de problemas.
-A partir daí, cada agente financeiro monta seu cenário para os próximos meses em que não falta um certo inferninho astral Claro que variações de taxas transparecem num amplo espectro da economia. Mas muitas compensações são relegadas, como no caso os custos das importações que, embora danosas à agroindústria, beneficiam o consumidor. Estas variáveis, porém, não pesam nas análises porque todos preferem convergir suas suas avaliações para o tamanho do estrago que o efeito crash trará sobre o plano de estabilidade econômica. Enfim, o peso político que se confere às consequências da crise das bolsas é muito forte.
-A certas evidências que não podem ser ignoradas. Por exemplo a defasagem entre a taxa anual do dólar (13%) e o novo patamar dos juros básicos (43%) favorecerá as importações agrícolas. Devem aumentar as compras externas de soja, trigo, milho e algodão. Péssimo para o agronegócio, porém quando o item é ligado ao abastecimento a existência de estoque dá tranquilidade ao governo. E aflição, certamente para quem produz. Mas está se falando de circunstâncias.
-Mais: os financiamentos atrelados à TR deverão ter aumentos significativos, como a renegociação feita pelos produtores na securitização com a parcela superior a R$ 200 mil. Os débitos até R$ 200 mil foram negociados pela equivalência-produto mais 3% ao ano e a parcela superior teve o índice de remuneração básica da poupança (TR) mais uma taxa, o que deve elevar os juros.
-Há incêndios que o País tenta debelar como pode. Um dos focos neste momento é evitar a fuga de investidores que seria a fuga de dólares. Péssimo para uma balança deficitária. Como estancar: elevando as taxas de juros e administrando as consequências.
-A propósito, as empresas de cartões de crédito decidiram ontem que vão se reunir na próxima semana para discutir os juros que serão cobrados dos consumidores. Ontem elas já estudavam aumentos de até 1,5 ponto percentual.
A Credicard, por exemplo, informa que a taxa de juros cobrada dos usuários dos seus cartões, de 10,55% ao mês, deve ficar próxima de 11,50% ao mês. Mas esse aumento só valerá para as faturas que vencerem a partir de 8 de dezembro.
Os juros não serão alterados no mês de novembro, informa a diretora de
imprensa Rosvita Saueressig, à Agência Folha, pois a empresa já havia informada anteriormente nas faturas dos clientes a taxa a ser paga no mês. Cada caso é um caso, nem todos vão elevar tanto. O consumidor tem a seu favor o fator concorrência.Efeito

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