OSWALDO PETRIN
Gargalo no Porto
As análises do mercado de commodities agrícolas feitas ontem pela Corretora de Cereais Granoeste, de Cascavel, incluem uma observação sobre o Porto de Paranaguá que deve preocupar lideranças. E sugerem uma posição de traders e que operam no corredor de exportação.
O fluxo de comercialização é prejudicado pela infra-estrutura portuária, segundo a análise, que diz: ''A logística, sobretudo em Paranaguá, não evoluiu e os mais otimistas não acreditam em qualquer corregamento de soja antes de 10 março. Até lá, existem pelo menos 20 navios de milho e farelo para serem carregados. Além disto, há sérias limitações de espaço nos armazéns do Porto que nem mesmo a volta do ''silão'' será capaz de resolver''.
Desde o segundo semestre do ano passado o atraso no embarque de milho tem impedido que produtores se beneficie de bons momentos de preços internacionais.
Ontem mesmo, apenas para citar o exemplo mais recente, as cotações de milho na Bolsa de Chicago fecharam em alta. A boa performance das exportações de milho norte-americanas, na semana e um forte movimento especulativo, foram as principais razões da alta.
O bom volume negociado ontem no Porto de Paranaguá foi para entrega até o final de março a preços que variaram entre R$ 18,50 e R$ 19,00/saca. Comparando: os preços recebidos pelos produtores no interior do Estado estão bem abaixo desse patamar. Ontem em Paranavaí, um dos melhores preços no Estado do Paraná, o preço máximo oscilou entre R$ 14,50 e R$ 19,00.
Interesse russo - Empresas estão interessadas em plantar soja no Brasil. Queriam importar 1 milhão de toneladas/ano, segundo a Agência Folha, ontem, mas estudos indicaram que a tonelada de soja cultivada por eles sairia por US$ 150, contra US$ 210 pagos pela importada.
Sem fundo - Indicador da recessão: de cada mil cheques compensado no Paraná, em fevereiro, 53 foram devolvidos por falta de provisão de fundos. Aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. No País, aumento foi de 3,4%.
Soja/China - O produtor Altair P.N. Monteiro, de Barbosa Ferraz, provoca a coluna, diante da informação, dias atrás, de que a China aprovou a certificação permanente da soja geneticamente modificada dos Estados Unidos, liberando o comércio da commodity. Ele ironiza: ''Mas a imprensa não vive publicando declarações de que a soja convencional tem a preferência de países importadores?''.
Da soja convencional do Brasil a China exige certificação, às vezes embaraçosa.





