Feriados providenciais

Os feriados de carnaval foram providenciais para estancar a contaminação da economia pelo escândalo que tomou conta do Governo. Mesmo assim, como a ''trégua'' dos feriados foi apenas interna, o estrago entre os investidores estrangeiros não foi menor.
Os setores financeiros devem entender, agora, os motivos pelos quais o Copom não explicou a manutenção das taxas de juros. Talvez porque, no seio do governo, o desconfiômetro estivesse ligado há semanas. As denúncias e toda carga de repercussão do caso Waldomiro Diniz eram esperadas, afinal o Planalto tinha conhecimento - ainda que o governo negue - da gravidade do caso. O mecanismo de defesa teria funcionado assim: para que o escândalo não provocasse fuga dos investidores, o juro básico foi mantido nas alturas dos 16,5% - apesar do custo fiscal altíssimo.
Mas, vêm aí dois dias úteis, hoje e sexta-feira, seguidos de um fim de semana. E o governo tem mais um fôlego para abafar os ânimos.
A economia agradece. É ilusório, porém, achar que a estabilidade não foi afetada. Mais cedo ou mais tarde a deterioração de ativos brasileiros vai se manifestar. A política econômica ainda tem crédito lá fora. A imagem da estabilidade sobrevive. Por que? porque pouco importa, nos meios financeiros, se a inflação é contida pela falta de consumo - motivada pela recessão, desemprego e empobrecimento da classe média. Importa que a meta da inflação é mantida em 6,5% este ano.
Os exportadores chegaram a conhecer o lado positivo da crise, com o dólar encostando nos R$ 3,00/US$ 1,00, na semana passada. Mas se a crise pressionar o câmbio será péssimo para a economia como um todo.
O pior já passou, felizmente. Neste aspecto é bom que não haja CPI.
Os indicadores da saúde do mercado como bolsa, câmbio e outros poderiam despencar e a economia mergulhar numa crise que não interessa a ninguém.
Já tivemos fortes indícios disso. A repercussão imediata da primeira edição da revista Época fez o dólar comercial subir 2,3%; as bolsas despencaram e o risco Brasil subiu 18 pontos.
Soja - Na véspera da divulgação do relatório do Usda, contratos negociados na Chicago Board of Trade iniciaram o dia em baixa com um novo caso de Influenza Aviária nos EUA, porém encerram o pregão em alta devido a quebra da safra brasileira. Cotações para março encerraram o pregão US$ 9,3375/bushel (US$ 20,59/sc). Veja mais nesta página e página 2.
Soja 2 - O analista de mercado Ismael Mologni sugeriu que este é um bom momento para vendas parcelada. O mercado está positivamente atípico e a venda de 35% da colheita, agora, ajuda manter sustentar os preços lá na frente.

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