Oswaldo Petrin
-Dizem que boa parte do varejo brasileiro não tem vendedores, tem pessoas que atendem os clientes. O conceito é uma dialética dos precursores do marketing moderno. Mas procede. Vender, na acepção do termo pode ser outra coisa, mas na definição deles é consumar a operação, que traduzindo objetivamente é fazer com que o freguês, sempre encantado, não saia (da loja) sem passar no caixa.
-Varejo bom é aquele que vende. Ou vende ou desaparece. Tanta coisa simplista e óbvia demais acaba escamoteando o lado burro (ou oportunista) do varejo. Como este que se revela neste momento, na esteira da crise das bolsas e expresso na alta com taxas de juros. O varejo dirá que nada pode fazer.
-Seguinte: lojas de departamento devem começar de hoje até segundas-feira a praticar novas taxas, aumentando entre um e dois pontos percentuais o que vêm cobrando atualmente no crédito direto ao consumidor (CDC). Ninguém está preocupado em administrar o impacto. Tem que repassar mais esta para o freguês (des)encantado.
-Ora, o crédito direto ao consumidor, como o nome já define, é o financiamento ao consumo. Aquele que alavanca as vendas em qualquer época do ano. É elementar e claro que o varejo não tem culpa se as taxas são simplesmente impostas pelas financeiras no jogo da política monetária. Mas, daí a repassá-las agora, sugere mais oportunismo do que argumento técnico. O que se questiona é que o varejo não tentar contrapor ou, pelo menos, contornar o que a capricho monetário prenuncia. O juro médio de 6,5% ao mês, cobrado pelas lojas de eletroeletrônicos, de móveis e de materiais de construção, deve subir para até 8,5% ao mês, nos cálculos de financeiras ouvidas pela Agência Folha, ontem, na Praça de São Paulo. Os juros cobrados no empréstimo pessoal e no cartão de crédito, mais altos, que estavam em torno de 10% a 11% ao mês, devem subir para até 13% ao mês.
-Se o mercado financeiro continuar turbulento por conta da queda da Bolsa, dizem as financeiras, é possível que os juros subam ainda mais. Para alguns bancos, o aumento dos juros deveria ter ocorrido há alguns meses por causa do crescimento da inadimplência. O mercado de financiamento ao consumidor se tornou muito competitivo com a entrada de novos bancos, pressionando para baixo os juros. E, junto com isso, aumentou a inadimplência. Essa correção na taxa precisava ser feita, eles acham.
-Outra consequência que o varejo não pode impedir: a restrição ao crédito, com muitas lojas cortando de 24 para 12 meses o prazo máximo do crediário. Para educar o consumidor que age por impulso até que a medida disciplina um pouco. Mas, para o varejo, esta redução do prazo é desastrosa. Se confirmada, suas consequências devem transparecer no balanço das vendas do final do ano.Palestra/Corol
Desafios do Século 21 é o tema da palestra do consultor Luiz Almeida Marins Filho, hoje, às 15h30, na Associação Recreativa da Corol (Estrada do Caramuru, km 01). Cooperativa comemora 34 anos.
Milho FGV/BM&F
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,18/saca (+0,12%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,43/saca (+0,68%). O valor a prazo foi de R$ 8,20/saca (+0,24%).
Milho/alta
O preço de atacado, apurado pela FGV e BM&F, indica a disposição da indústria de pagar mais pelo produto. A alta de ontem pode iniciar a escalada de alta (com atraso) prevista para o segundo semestre deste ano.
Efeito Crash
Mercado de commodities dos EUA está sentindo os efeitos do crash mundial nas Bolsas de Valores. Os negócios ficam prejudicados devido às incertezas quanto às taxas de câmbio.
Câmbio
A queda das Bolsas asiáticas deve afetar o câmbio, provocando nos exportadores norte-americanos temor de queda nas vendas de grãos para aquela região, diz Fernando Muraro, da Cotriguaçu (Agência Folha).





