OSWALDO PETRIN
Vaca louca na Bolsa
A vaca louca está sendo generosa com o mercado da soja. Quando o quadro de demanda não é suficiente para empurrar os preços, eis que os efeitos da doença - e as especulações inerentes - se encarregam de agitar o pregão. Ontem, houve nova alta atribuída ao aumento das compras de farelo de soja, substituto da farinha de carne na alimentação do gado. A ração (à base de derivados animais) contem o agente que contamina o gado.
Desde que surgiu o primeiro caso de Encefalopatia espongiforme bovina (EEB) nos Estados Unidos, em dezembro, o pregão da Chicago Board of Trade reagiu pelo menos três vezes.
Ontem o pregão abriu em baixa, mas, rumores sobre possíveis restrições ao uso de insumos de origem animal no arraçoamento de bovinos (devido ao mal da vaca louca) encarregaram-se de elevar as cotações no mercado futuro da soja.
O contrato com vencimento para março encerrou o pregão cotado a US$ 8,42/bushel (US$ 18,56/sc de 60 kg).
No mercado interno, a FNP Agroinformativos fez o seguinte comentário: Não houve assimilação dos ganhos verificados na Bolsa de Chicago. Nem da ligeira valorização do dólar frente à moeda brasileira junto aos preços praticados (comercial: R$ 2,843/2,845. Paralelo: R$ 2,910/2,970.Turismo: R$ 2,800/2,930), uma vez que boa parte das empresas anteciparam a compra e, desta maneira, praticamente não há liquidez.
O baixo volume disponível para comercialização também contribui para a lentidão nos negócios.
Preço médio -- O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 46,70/saca, alta de 0,52% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 16,41/saca, ganho de 0,24%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. O preço ao produtor esteve bem mais baixo: o máximo ontem, em Maringá, foi R$ 44,00/saca. Poucos venderam.
Orgânicos - A procura por alimentos naturais nos países desenvolvidos permitiu uma expansão de 23% nas exportações de óleos orgânicos pelo Grupo Agropalma em 2003. A empresa exportou 700 toneladas do produto, aos preços médios de US$ 761 por tonelada. Em 2002, o preço era de US$ 660.
Milho - As vendas externas de milho atingiram 3,56 milhões de toneladas no ano passado, 30% acima do volume registrado em 2002, conforme dados da Secex. Esse aumento de exportações ocorre em um período em que os preços internacionais subiram 7%. Fonte: FNP e Agência Folha.





