OSWALDO PETRIN
Soja para os EUA
Que os estoques de soja dos Estados Unidos são baixos ninguém duvida. Os relatórios do Departamento de Agricultura (Usda) vêm divulgando isto desde o fechamento dos dados sobre as perdas da safra norte-americana, igualmente conhecidos. Também tem divulgado a intenção dos EUA de importar mantéria-prima da América Latina. O que ninguém poderia esperar é que os EUA tivesse necessidade de comprar matéria-prima do Brasil. Não tão cedo, pelo menos. Isto aconteceu esta semana. Pelo menos uma trader teria negociado a compra do grão.
A notícia circulou na terça-feira. Ontem, sites de algumas traders disseram que essa operação não deve ''impressionar'', pois se trata de operação de rotina. Estranho é que o fato não teve maior repercussão nas cotações de Chicago.
De fato o Usda previu em relatório de outubro do ano passado que o País teria de importar de imediato 220 mil t.
O boletim de ontem da Granoeste diz que oficiais do Usda se apressaram em esclarecer que tratar-se de pequena compra de soja ''de alta qualidade'' para fazer tofu.
As cotações fecharam em baixa ontem nos contratos de compra de janeiro. O refluxo já era esperado depois de três altas consecutivas. De qualquer forma, a soja está em plena ascensão.
Ninguém duvida se na próxima semana, o mercado fique sujeito a uma nova variável altista: o ferrugem da soja no Brasil. A disseminação está aumentando.
As cotações da soja no mercado de lotes, ontem, no Pólo industrial de Ponta Grossa, encostaram nos R$ 47,00. No Porto de Paranaguá, exatos R$ 48,00.
O mercado da principal commodity brasileira já repercute em outros setores da economia. O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acha que o preço da soja vai alterar os índices de inflação. Ninguém concordou.
A cotação para embarque em março chegou a US$ 309/tonelada esta semana. No ano passado, o país exportou o produto à média de US$ 215,6 a tonelada.
Folha Rural -- A Folha Rural deste sábado mostra como os agricultores de Mauá da Serra transformaram uma terra fraca, ameaçada pela erosão, em grande celeiro de soja, milho e feijão. A senha para a prosperidade chama-se plantio direto. Os produtores de Mauá foram buscar conhecimento (e inspiração) junto a uma pessoa que deu grande contribuição à agricultura brasileria: Herbert Bartz.





