-O pior já passou, a julgar pela performance das bolsas, ontem. Mas ainda paira um festival de palpites e muita especulação, normais neste momento, em torno de como a economia brasileira vai internalizar a turbulência do mercado acionário já que o impacto ‘‘sacode as bolsas do mundo inteiro’’, como definiu um operador da Coffee, Sugar & Cocoa Exchange, de Nova York. Em meio a toda essa confusão, o mais importante, para o Brasil é suavizar, assimiliar o impacto sobre a política cambial que pratica como quem anda em areia movediça. Tentar, agora, pôr em prática um eventual - e perigosamente circunstancial - ajuste do câmbio, por mais suave que seja, seria uma estratégia absurda. Tem gente torcendo para que o governo aproveite o vácuo e mexa nas taxas. É imprudência. - Quem tem juízo sabe. A propósito, ontem, de passagem por São Paulo, o economista José Alexandre Scheinkman falou algo que sugere um certo alerta à equipe econômica do atual governo: ‘‘Espero - disse ele - que o reflexo disso na economia seja pequeno e que no caso de economias emergenciais como a do Brasil, o impacto seja inteligentemente absorvido’’. O economista Alexandre Scheinkman, que mora nos Estados Unidos e chefia o Departamento de Economia da Universidade de Chicago, tem acompanhado a ‘‘difícil transição’’ da economia brasileira. Ele veio participar, como conferencista, do 18º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, promovido pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada).
-A preocupação da equipe econômica brasileira, de acordo com Scheinkman - na entrevista que deu ao repórter Mauricio Esposito, da ‘‘Agência Folha’’ -, tem que continuar sendo as políticas cambial e monetária. ‘‘O Brasil tem reservas suficientes para aguentar a saída de muitos investidores estrangeiros e temos profissionais competentes no Banco Central.’ A avaliação do economista é que o governo adotará as medidas necessárias para proteger a moeda. ‘‘Eu não espero que, no quadro atual, o governo promova uma desvalorização cambial. Se for para mudar, aumentaria a taxa de juros, mas isso deve ser questionado no Banco Central’’, disse. ‘‘A lição da crise do México em 1995 foi para várias pessoas, inclusive investidores que especularam contra o Brasil na época e perderam dinheiro. E com relação à paridade, não seria hora de os exportadores pressionarem.
-Scheinkman afirma que o Banco Central vem utilizando um sistema ‘‘elaborado’’ de defesa da paridade cambial. As taxas de juros, por sua vez, estão bastante elevadas e acabam servindo de defesa contra especulações. Nossa vulnerabilidade passa pela Bolsa e pela cotação dos títulos da dívida no exterior; não é um problema da moeda, é problema de confiança na economia. Para Scheinkman, a preocupação dos bancos centrais de todos países têm que ser com a cadeia de pagamentos no sistema financeiro. Se a política monetária e o sistema de pagamentos forem bem conduzidos, o efeito de uma oscilação como essa nas Bolsas é nulo. Impacto

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