-Oito meses depois de lançar o feijão longa vida, embalado a vácuo em embalagem plástica - inspirado na experiência bem-sucedida da batata, com tecnologia semelhante -, a idústria Vapza, no município de Castro, amplia o leque dos cozidos e pre-cozidos e apresenta, pelo menos mais cinco produtos: lentilha, milho, grão-de-bico, mandioca e feijão branco, além da batata em cubinhos. Em seguida virão, cenoura e seleto de legumes. O projeto pronto, até meados de 98, permite à indústria operar com 15 produtos.
-O mercado está apenas começando, observa, otimista, o empresário Elbe Pospissil. No caso do feijão, o modelo e a tecnologia são franceses. Mas, para os demais produtos, houve profunda adaptação das máquinas e da tecnologia depreparo e estocagem. Não se pode dizer que a empresa não investiu em pesquisa. Pesquisa industrial e de desenvolvimento de produto. É o caso da mandioca, ‘‘sem similiar no mundo’’. A empresa não tem planos para o Mercosul, afinal o que pretende produzir está longe de preencher do potencial de mercado.
-Embora sem um estudo de prospecção com relação à demanda, a Vapza aposta no crescimento da demanda. Diz que trabalha com conceito de alimentação e não simplesmente com lançamento de novas opções. Fecha o ano com uma produção de 2,5 mil toneladas e para se ter idéia do tamanho (potencial) do mercado, este número está muito longe da meta de 1% do consumo brasileiro, medido pela forma convencional. Em batata, por exemplo, toda a produção seria de 0,08%, muito pouco em termos de participação, segundo o próprio Elbe Pospissil.
-‘‘Não estamos lançando um produto normal, estamos tratando de conceito de alimentação, de mudança de hábito’’, observa Elbe. Seria defensável que qualquer projeto prospectivo demandasse seis a oito meses. Mas não foi isto que aconteceu, talvez porque estratégia da indústria tem por base a palavra-mágica dos tempos modernos: praticidade. ‘‘Não seria possível virar mais um século consumindo feijão preparado com a mesma ‘‘técnica’’ da primeira vez que se comeu o alimento’’, pondera o professor da Universidade Federal do Paraná Flávio Lázzari, durante recente simpósito sobre alimentos, em Londrina.
-Como em toda a cadeia alimentar, os agentes apostam numa postura que cresce entre os consumidores classe média: quanto mais rápido o preparo do almoço, jantar ou lance, melhor. O casal trabalha fora, tem que levar as crianças ao colégio e o orçamento estreito manda dispensar a empregada. A indústria se prepara para este novo cliente, cada vez mais numeroso. Ao mesmo tempo em que os demais segmentos do agronegócio do feijão (também o milho, mandioca e legumes) vibram com o avanço da idéia. Principalmente o feijão que perdeu espaço duas vezes, como mostram os históricos do consumo per capita. Nas décadas de 70 e 80, cedeu lugar ao macarrão do trigo importado e subsidiado. No plano real, com estabilidade de preços, perdeu com o deslocamento do consumo para produtos antes mais caros, caso das carnes, lideradas pelo franco, e dos legumes.Soja Fipe-BM&F

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