OSWALDO PETRIN
Hora de ouvir
Sever Peterson
Quer saber o que o produtor norte-americano pensa do produtor brasileiro?
Qual a preocupação, hoje, dos plantadores de soja dos Estados Unidos?
O que há em comum entre os produtores norte-americanos e brasileiros?
Até quando vai durar a boa fase da soja? O que virá depois?
Por que o governo dos Estados Unidos nunca vai acabar com o subsídio à agricultura? E os transgênicos, a Alca?
É bom saber o que pensam os norte-americanos. Hoje, às 14 horas, no Sindicato Rural de Londrina, o fazendeiro Sever Peterson, de Minessota, vai falar aos produtores da região. Peterson é um empresário do agronegócio que pretende investir no Brasil. Mas é um crítico da comercialização tanto brasileira como americana.
Sever Peterson tem alguns motivos para alertar os produtores brasileiros. Aqui, como lá nos EUA, a renda agrícola é transferida para as indústrias, ou para o agribusiness como um todo, do qual o produtor é apenas uma parte, a que menos lucra com a produção. A outra parte que também não se beneficia da multiplicação da produção é a ponta do consumidor.
Até aqui, nenhuma novidade. O que há de novo no contexto é que Peterson aponta como os brasileiros podem liderar uma mudança desse círculo vicioso.
Peterson é um produtor diversificado de soja, milho verde e hortaliças, que vende diretamente ao consumidor. A família Peterson tem uma história de 70 anos na atividade agropecuária. Faz turismo rural e mantém intercâmbio com agricultores de outros países.
As safras abundantes injetam dinheiro no setor, os produtores investirem em insumos e equipamentos. Mas as indústrias aproveitam para elevar os preços desses fatores de produção, em função da liquidez existente. E não porque seus custos tivessem aumentado. Na verdade, elas se apropriam da riqueza gerada pela produção.
Todos sabem os custos de produção de uma saca de soja ou de milho. Mas os custos de um trator, de uma saca de sementes ou dos fertilizantes são uma incógnita.
Do agricultor exige-se cada mais produtividade, qualidade, competitividade. Mas o capital que resulta desses avanços não volta para a produção. Neste ponto Peterson compara a agricultura à uma porta gieratória. A agricultura fica girando (revolving door) em torno desses paradigmas, sem rompê-los. É hora de romper.
Sever Peterson acaba de visitar vários Estados na nova fronteira da soja (Maranhão, Piaui, Tocantins, MT e MS). Viajou com seu amigo, o engenheiro agrônomo Marcelo Luiz Anizeli Favarão, que é presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa. Veja mais na Folha Rural deste sábado.





