Faep recorre a Lula

''Estamos em plena época de plantio e os produtores do Paraná enfrentam dificuldade para obter financiamento, tanto de custeio como de investimentos. Os bancos alegam que os recursos a juros de crédito rural, já se extinguiram.
''Assim, há necessidade urgente da alocação de mais recursos para o custeio agrícola da safra 2003/2004. E também para os investimentos, os quais poderão ser garantidos através da elevação dos recursos direcionados para equalização da taxa de juros no Orçamento Oficial de Crédito''.
O presidente da Faep, Ágide Neneguete, encaminha a denúncia diretamente ao presidente da República.
Não há crédito de custeio.
No caso do Finame, a Faep denuncia que, além da taxa de juros de 13,9%, as empresas transferem para o produtor uma taxa de 4% sobre o valor do bem financiado. Essa taxas é de responsabilidade dos fabriantes e distribuidores.
Quanto aos investimentos, existem instrumentos que apoiam os produtores como os programas Pronaf-Investimento, Moderfrota, Finame Agrícola Especial, Moderinfra, Moderagro. Mas, com recursos exauridos, esses programas se encontram sem capacidade de financiar.
''Quanto ao Finame Agrícola Especial, a taxa de juros cobradas nas operações e o valor que é embutido no preço do equipamento comprado, se torna muito elevado, comprometendo a rentabilidade do empreendimento, pois além da taxa de juros de 13,95% ao ano, a maioria das empresas transfere para os produtores o percentual de 4% sobre o valor do bem financiado, que segundo o artigo 3º da Resolução nº 3.146 do Bacen, é de responsabilidade dos fabricantes, distribuidores e concessionários que participam deste programa de financiamento''.
''O Governo deve coibir esse repasse, pois caso contrário poderá comprometer a capacidade de pagamento do produtor'', diz a carta de Meneguette.
Moderfrota -- ''O Programa foi responsável pela modernização do parque de máquinas agrícolas no País, mesmo com taxas de juros variando de 9,75% a 12,75% ao ano, superior à taxa de 8,75% ao ano, fixada para o setor rural.
''Com esse programa, o setor rural pode modernizar o seu parque de máquinas agrícolas que se encontrava sucateado e contribuiu para setor alcançar os elevados índices de produtividade nessas últimas safras. O Governo Federal deve disponibilizar mais recursos e manter esse importante programa para o setor rural brasileiro''.
Contradição -- A julgar pela carta do presidente da Faep, a safra é recorde, mas os financiamentos não. Muitos produtores acabam tendo que cair na armadilha dos empréstimos a preço de mercado, o pior negócio do mundo.
O que se faz pela agricultura beneficia o comércio e o emprego na cidade e aumenta os impostos. A agroindústria é o setor que melhor distribui renda no Brasil. Faz tempo.

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