OSWALDO PETRIN
Contrato de opção
Produtores de café, reunidos esta semana para fundar a Associação Brasileira de Café Arábica (ABCA), iniciaram pressão para que a Conab promova novos leilões de Contratos de Opção, como vinha fazendo, não tendo cumprido as metas. Embora o governo não pague nenhum centavo acima do custo de produção apontado pela Embrapa, a opção de venda é saída, já que o mercado não acena com reação no ano que vem, ao contrário do que se previa.
É uma forma de tirar o setor do sufoco.
Os empresários Alexandre Pompéia Coutinho, Leandro Pompéia, Ayres Galina e Gentil Buzetti, do Norte Pioneiro, disseram que alguns produtores arrancaram café e arrendaram suas terras para usinas plantarem cana. Outros estão vendendo utilitários - ''ferramenta de trabalho'' - para saldar compromisso em banco. Quem tem o café como única renda está sem liquidez desde o início do ano.
O custo dos fertilizantes e defensivos chegaram a níveis insuportáveis.
Sobre os contratos de opçaõ: Em junho o governo lançou os contratos para produtores e cooperativas que quisessem vender para a Conab. Os preços R$ 190,00/saca, para liquidar em setembro, e R$ 195,00, para novembro, ficaram bem próximos dos valores de custo. Mesmo assim estava acima do preço de mercado.
Naquela oportunidade, o Banco Central disponbilizou recursos para 2,2 milhões de saca, sendo 1,1 milhão para setembro e 1,1 milhão para novembro.
Mas as entregas de setembro atingiram apenas 300 mil de sacas. Sobrou o equivalente a 800 mil sacas.
Com esse recurso já orçado - sugerem os agricultores - a Conab poderia completar a meta, reabrindo o leilão de opções.
A crise de preços do café parece que só prejudica o produtor.
Todos os segmentos da cadeia estão ganhando dinheiro, menos o setor primário. Para compensar a ausência de preços remuneradores, produtores buscam diferenciais de qualidade. Mas nem sempre conseguem o adicional desejado. A perda de renda do café (na ponta produtora, já que a indústrias estão muito bem) é reconhecida pelos comerciantes corretores. Mas não há nenhum fato novo que acene com mudanças do atual quadro. Não tão cedo, pelo menos.
Sem perspectiva de preços, o produtor corta investimentos. Muitos não vão fazer o controle do bicho mineiro e da ferrugem, cuja época de aplicação de fungicida e inseticida começa agora. O tratamento químico custaria R$ 900,00/ha
Segundo os Pompéia, no caso dos defensivos ainda é possível pechinchar. Mas, com relação aos fertilizantes, fica difícil competir com a soja. As indústrias não reduzem os preços nem dão prazo. Elas estão comemorando uma forte demanda por parte da soja.
Tanto que está faltando uréia no mercado. O preço histórico da uréia era 300 dólares hoje está está entre 150 e 200 dólares.





