Soja reage

Depois de três dias de baixa, por especulações em torno de impasse comercial com a China, o mercado da soja se reencontrou ontem e a Bolsa de Chicago fechou em alta. Houve menos especulação e mais ''razões técnicas'', sustentadas por novas compras por parte dos fundos, que na quarta-feira procuraram se desfazer dos papéis (contratos futuros). A oferta derrubou o mercado.
O contrato com vencimento para novembro encerrou o pregão cotado a US$ 7,5925/bushel (US$ 16,74/sc de 60 kg).
O mercado interno, no entanto, não reagiu com tanta rapidez. Há outro fator exercendo influência nesse mercado: é que a comercialização da safra está na reta final e há pouco produto no mercado disponível.
Mas as exportações têm fluído normal. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) citados pela FNP, as exportações brasilerias da soja em grão e de seus derivados durante o mês de outubro apresentaram um bom desempenho em relação em relação aos valores obtidos no mesmo período do ano anterior, porém abaixo do desempenho observado no mês anterior.
As exportações de soja em grão totalizaram 2.115.087 toneladas durante o mês passado, o que significa uma evolução de 25,6% em relação ao mês de outubro do ano anterior, abaixo das 2.178.803 toneladas registradas em setembro último.
No acumulado do ano, as exportações representam 19.030.617 ton., ante o volume de 15.970.002 ton. registradas ao longo de todo o ano de 2002. As exportações de farelo somaram 1.397.906 ton., ante 1.681.331 ton. somadas no mesmo período do ano anterior.
Sobre as cotações da soja, veja na página 2.
Milho - Não reagiram ontem o milho, café e o boi gordo. Com exceção do café o mercado é firme para todas as commodities agropecuárias.
Abacaxi é solução -- Por vício da linguagem figurada, o brasileiro acaba desdenhando de bens, produtos ou animais de valor econômico. Agora mesmo, a Globo, através do cartunista Caruso - sugerindo valorizar a rotina do governo Lula - associa suas atividades à ação de ''descascar'' abacaxis. Da mesma forma, é comum ouvir-se que alguém está tentando ''livrar-se'' de algum tipo de pepino. E quem não consegue evoluir é ''burro'', numa alusão ao animal, na verdade eficiente, que hoje presta mais serviços à zona urbana do que rural.
No caso do abacaxi - falta de originalidade à parte -, vale comemorar o seguinte: enquanto a fruta é vilipendiada pela cultura urbana, lá no campo, quem a cultiva e preza, está - merecidamente - prosperando.
O assunto de capa da Folha Rural deste sábado é a expansão do abacaxi no Paraná. O empresário Anderson Itimula, de Sertaneja, nem começou a colher uma área de 70 hectares e já planeja expandir a produção.

mockup