OSWALDO PETRIN
O dólar a R$ 3,00
O mercado de commodities - pelo menos o de uma commodity, a soja - interpretou a declaração do ministro da Indústria e Comércio Exterior, Luiz Furlan, ontem, como sinalizador de ajuste cambial para cima, encostando nos R$ 3,00/US$ 1,00.
Mas preferiu manter como referência o fechamento da Bolsa de Chicago e não o palpite da autoridade do governo.
Tanto que ontem o mercado da soja reagiu aos preços futuros da Chicago Board of Trade (US$ 7,800/bushel - US$ 17,20/saca), ofertando a R$ 49,80 no Oeste e US$ 50,00/50,00.
Disse o ministro que o desempenho das exportações mostra que o câmbio ao redor de R$ 3 será adequado. As previsões mostram - segundo ele - que a taxa de câmbio estará ao redor de R$ 3 nos próximos meses. Lembrou que o Orçamento contempla uma previsão de câmbio em R$ 3,15 em dezembro do ano que vem. ''É dentro deste cenário que o setor privado deve se programar''.
No entanto, o mercado interno, mais uma vez se reportou ao mercado mundial, que foi puxado, de novo, pelas intenções de compra da China. A China teria contratado mais 563 mil t de soja norte-americana.
Um discreto recuo do dólar (cotações de conta e venda, ontem: comercial, R$ 2,930/2,932; paralelo, R$ 2,910/2,980; turismo, R$ 2,850/3,010), não foi suficiente para contrapor as ofertas por conta da alta de Chicago. E olhe que Chicago abriu em baixa, permanecendo assim por algumas horas. E mais: é final de temporada de comercialização.
Ainda mais que analistas da FNP consideraram fraco o desempenho CBOT. Portanto, era a vez de os vendedores se apegarem ao câmbio. Mas não. Tanto que a oferta foi normal.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,37% entre a máxima de R$ 2,971 (+0,71%) e a mínima de R$ 2,931 (-0,64%). Por ter rompido na terça-feira da semana passada o nível de R$ 2,90 e ter se mantido ontem nos R$ 2,971, operadores de bolsa passaram a considerar o nível de R$ 2,90 um novo piso informal do dólar.
Além da indiferença à previsão do câmbio - ontem não foi a primeira vez -, o mercado da soja mostrou outra faceta este ano. É que todas as variáveis que exerceram influência sobre a decisão de vender, estiveram relacionadas ao comportamento da Bolsa de Chicago, notadamente as informações sobre perdas da safra norte-americana e aumento das importações pela China.
Especulou em cima de fatores puramente mercadológicos.
Atípico -- O mercado preteriu - ''desdenhou'' segundo um operador de Bolsa - até mesmo as baixas provocadas pela oferta de papéis dos fundos de pensão para realização de lucros. Enquanto as cotações cediam - diante da oferta de contratos futuros -, o mercado interno mantinha, no disponível, as cotações do dia anterior. Não é por caso que a fronteira dos US$ 8,00/bushel foi rompida várias vezes em outubro.





