Oswaldo Petrin
-O incentivo ao carro a álcool não decolou; as indústrias não querem nem ouvir falar sobre o assunto. A conversão ou substituição de frotas oficiais e de grandes empresas em álcool, também não teve sucesso. As chamadas frotas verdes, incluindo aí os táxis, não passaram de uma idéia. Enfim não há um grande projeto para alavancagem do álcool. No entanto, a qualquer momento, pode ser votado no Congresso Nacional o projeto que determina a adição de álcool ao óleo diesel na proporção de até 15%. Suficiente para absorver cerca de 4,2 bilhões de litros de álcool/ano. A iniciativa é da própria Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
-Solução? Para os políticos e para a indústria do álcool uma saída cômoda que, no entanto, tem um preço alto para a sociedade. Fala-se que o diesel sofreria um encarecimento acima de 12%. Poderia chegar a 20%. Qualquer alta nos preços do diesel (muito mais do que na gasolina) transparece imediatamente nos preços em geral a começar pelos preços dos alimentos. Jô Gazali, repórter da Agência Estado, apurou que os brasileiros podem ter que pagar uma conta de R$ 800 milhões por ano (matéria nas páginas de economia). Seria como pegar o passivo de um setor, o usineiro, no caso, e pulverizá-lo para toda a população do País.
-A idéia é enxugar a oferta de álcool de 15,5 bilhões de litros ao ano. Se dependesse da Petrobrás e do Ministério da Indústria e do Comércio o projeto já teria sido aprovado, mas o Ministério da Fazenda quer conhecer o impacto que a medida causaria na economia do País.
-Fabricantes de caminhões e ônibus estão particularmente preocupados com o projeto. O vice-presidente da Shell e diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Luiz Enéas Fortes, explicou que as distribuidoras não são contra a adição de álcool ao diesel, mas temem os grandes prejuízos que podem advir do fato de não existirem estudos que mostrem o que vai acontecer com o motor dos carros quando a mistura for usada. Ele disse que quando surgirem os problemas, a responsabilidade será das distribuidoras, que terão de indenizar os donos dos caminhões e ônibus.
-Para conter o ímpeto de setores interessados na aprovação (providencialmente abortada dias atrás pela Casa Civil) foi realizada uma reunião no MICT em que se montou uma agenda de estudos para se saber qual é a proporção de mistura ideal. Os estudos precisam durar o suficiente para que se apurem os reais efeitos do álcool sobre o diesel. O projeto manda fazer a mistura e diz que, depois, o Poder Executivo tem seis meses para tornar o processo viável. Uma irresponsabilidade. Por enquanto, não há estudos indicando que a mistura é tecnicamente viável. Depois que isto ficar claro, aí sim, a mistura poderá ser submetida à viabilidade econômica. Por enquanto, trata-se apenas de tentar pôr os carros na frente dos bois. E mandar a conta para a sociedade.Receita





