Estrutura anacrônica

O 2º Simpósio Nacional do Milho, dias atrás, em São Paulo, reuniu empresários do setor e pesquisadores da área de melhoramento da planta. Na mesma mesa estavam os agentes do desenvolvimento genético - responsáveis pelos ganhos em produtividade e qualidade -, e os agentes do agronegócio, os que investem, geram empregos, impostos, enfim distribuem renda. A cadeia milho é ampla e forte.
Foi nesse fórum - de cientistas, empresários e políticos; gente do governo e do livre mercado -, que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi alvo de reclamações de todas as procedências. Levou o maior pau.
O ex-secretário da Agricultura de São Paulo e ex-presidente do Incra, Francisco Graziano Neto, criticou o fato de instituições de pesquisas que geram alta tecnologia, terem que depender de licenças Ibama para transferirem esse conhecimento aos seus usuários: agricultores e a sociedade - beneficiária final do conhecimento tecnológico.
O Ibama, é bom que se diga, expressa a posição do governo.
Realmente, é difícil imaginar a Embrapa, excelência em pesquisa, dependendo de um único instituto para levar sua tecnologia, naturalmente focada na solução de problemas relacionados com alimentos, num país pobre, que precisa produzir proteínas vegetal e animal de baixo custo.
Graziano fez séria acusação ao Ibama. Não foi o único. O professor da Esalq, Celso Omoto, relatou o seguinte: pragas e doenças criaram resistência aos agroquímicos disponíveis no mercado. Exigem mais e mais aplicações.
A pesquisa tem tecnologia para controle natural. Essa tecnologia aguarda a licença do Ibama.
O Ibama não está só. A admirável vocação preservacionista de órgãos do governo, agora, deu de defender a lagarta do cartucho (do milho). Está retardando o controle natural da praga.
Assessoria do Simpósio de milho divulgou ontem a seguinte nota: Genes clonados de Bacillus thuringiensis, bactéria que produz uma toxina mortal contra a lagarta do cartucho, estão congelados nas geladeiras da Embrapa sem utilização. Os genes foram clonados a partir de cepas selecionadas das bactérias em 1.750 amostras de solo, colhidas em 10 estados. Com a moratória branca que existe para as pesquisas com organismos geneticamente modificados, os cientistas não podem bombardear as plantas e fazer testes de mortandade das lagartas. (Veja mais na Folha Rural, amanhã).

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