Novo recuo na soja

Não foi falta de avisar. Após euforia, a soja pode estar entrando num ciclo de baixa. Daqui para frente, as especulações na Bolsa de Chicago - parâmetro mundial de preços - têm um nova origem: ao invés da redução da safra norte-americana e compras chinesas, virão as informações sobre grandes safras no Brasil e Argentina.
O mercado interno recuou entre R$ 1,00 e R$ 1,50/saca ontem, por conta de nova queda nos contratos futuros da Chicago Board of Trade. O indicador de preços da soja calculado pela Esalq ficou em R$ 49,16/saca (-0,73%). Em dólar ficou em US$ 17,18/saca (-1,15%). O indicador tem base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Paraná. (Veja na página 2).
Rastrear café -- A partir de 2004 as indústrias moageiras de café vão intensificar a rastreabilidade para melhorar a qualidade do produto.
Produtores e consumidores agradeceriam se houvesse um esforço para reduzir as misturas (fraudes) e que a matéria-prima para o cafezinho fosse apenas o grão de café.
Resposta -- A resposta do consumidor pode estar na queda da demanda, expressa na ''falta de crescimento'', que o setor debida à crise econômica. Se este ano não haverá nem crescimento vegetativo é porque há queda no consumo. Afirmar, então, que ''não há crescimento'' é apenas uma questão semântica, ou eufemismo para dissimular perda real de consumidores.
Aliás, ao contrário das campanhas publicitárias criativas e sedutoras dos refrigerantes, o café nunca contou com uma campanha focada nos jovens.
Má notícia -- Após a safra recorde de 120 milhões de sacas em 2002/03, os preços do café só devem se recuperar em 2004/5. A produção reagirá a esse aumento só três anos depois. Essas previsões são de Lauro Kfouri Marino e deverão constar do ''Agrianual 2004'', da FNP, informou ontem a Agência Folha no Vaivém das commodities.
Omisso -- Dias atrás, em Londrina, onde participou de debate com técnicos da pesquisa e produção - e deu palestra a professores e alunos da UEL sobre cooperativismo, o presidente da Cooperativa de Garça, Vicente Bertone, disse que o ministro Roberto Rodrigues está sendo omisso com relação ao problema café.
Omisso 2 -- Bertone, não fez esta acusação na sala de aula, na Universidade (o tema era outro), mas falou para os técnicos, no Iapar, que o convidaram a dar uma orientação sobre o cenário.
Bertone é uma das pessoas mais respeitadas no setor cafeeiro. Ele disse que lamentava ''ter que dizer isto'', pois o ministro Rodrigues é seu amigo, mas afirmou que o ministro não inclui o tema café na sua agenda de negociações.

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