-A contradição dos estudos de cenários, oficiais (como Ipea, Fipe) ou por encomenda de interesses setoriais (como Fiep, Dieese, etc) é fantástica. O País está mergulhado no subconsumo de quase todo tipo de bens duráveis ou não, limitado pelos baixos salários e pelo desemprego e, no entanto, vem o Ipea e aponta crescimento do PIB (4%). Também a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, baseada em estudos da Fiesp, aponta crescimento do setor, algo em torno de 2,5%. Individualmente, porém, as indústrias não fazem segredo da determinação com que enxugam ou terceirizam (às vezes perigosamente), na busca obssecada da redução de custos.
-Algumas dessas projeções são hilárias, como a do ministro Porto (matéria principal desta página) prevendo aumento da renda dos agricultores. É defensável que o volor da produção cresça - ainda que o volume seja menor -, mas, daí a transferir renda para o produtor é pura heresia técnica. Requer outro exercício. Tanto que as muitas incursões de planos econômicos contra o setor não conseguiram enfraquecê-lo; a agricultura não morre. Quem morre é o agricultor.
-Aumento da renda global não é parâmetro para aferir a renda dos agentes do setor. Estes, no caso os agricultores, continuam combalidos por uma série de situações que vão desde importação atabalhoada até taxa de juros que mesmo reduzida a 9,5% ainda é alta.
-No enfoque macro da economia nacional, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão do Ministério do Planejamento, reviu de 3,8% para 4% sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto que mede o total de riquezas produzidas no País como um todo. Em 96, cresceu 2,97%. De acordo com o economista Cláudio Considera, diretor de Pesquisa do órgão, o ajuste na estimativa foi feito porque o desempenho da indústria de transformação e da construção civil apresentou reação em setembro. A indústria de transformação cresceu 0,6% em relação a agosto e 5,1% em relação a setembro do ano passado. Sobre a construção civil, Considera disse que foi detectado o crescimento dos lançamentos imobiliários em São Paulo, o que resulta em encomendas à indústria nos meses seguintes.
-Em todos casos, é o Ipea quem diz. Um crescimento econômico de 4% ao ano hoje equivale a 5,5% nas décadas de 60 e 70, quando, segundo ele, a média histórica de crescimento do PIB ficou na casa dos 6%. A diferença é que naquele período a população brasileira cresceu a uma média de 2,5% ao ano, segundo Considera. Agora, ela cresce a uma média de 1,34% ao ano. Com a população crescendo menos, a riqueza total precisa também crescer menos para gerar o mesmo nível de aumento na renda per capita, que representa a média por pessoa do valor total da riqueza. Cláudio Considera disse que o Ipea vinha desde o início do ano prevendo um crescimento de 4% para o PIB este ano. (Leia mais nas páginas de economia).Boi gordo
O Sindipec (Sindicato dos Pecuaristas) chutou o preço da arroba do boi para mais de R$ 28,00 (ontem, em São Paulo, prazo de 25 dias). Mas a Bolsa e a FGV apontaram números mais realistas: R$ 27,50. Em dólar, R$ 25,33.
Reposição
Na venda de um boi gordo o pecuarista pode ganhar o equivalente a 2,7 bezerros, 2,14 garrotes ou 1,63 bois magros. Esses índices eram 20% mais altos na época da safra. (AE).
Soja BM&F
O indicador de preços da soja, calculado pela Esalq/BM&F, ficou ontem em R$ 18,02/saca. Em dólar, a cotação ficou em US$ 16,37/saca. Veja cotações nesta página.
Milho FGV/BM&F
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,21/saca. Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,46/saca. O valor a prazo foi de R$ 8,23/saca. Veja preços ao produtor.
Milho 2
Redução da área e a consequente queda na colheita, deve dar nova sustentação aos preços do milho, uma vez que a demanda continuará nos mesmos patamares da registrada neste ano.

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