OSWALDO PETRIN
Os números do Usda
A apenas dois pregões da divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda), as cotações da soja para novembro fecharam em baixa, ontem, na Bolsa de Chicago: US$ 6,7850/bushel (US$ 14,96/saca).
O relatório de safra sai amanhã, cercado de expectativa porque ele deve confirmar a quebra da safra norte-americana ou, então, amenizar as perdas já previstas, hipótese, aliás muito remota.
As duas situações mexem com o mercado. O último relatório, em setembro, apontou colheita de 71,92 milhões de toneladas.
O analista de mercado Deives Faria da Silva, da FNP Consultoria & Agroinformativos, previu ontem que o relatório deve corrigir ''para cima'' os números anteriores. Ele fala com base no comportamento da safra nas últimas semanas em que vários fatores concorreram para queda da produtividade e qualidade do grão.
Outro analista entrevistado por este jornal, José Pitolli, também admite a hipótese da correção para cima, mas não descarta uma posição conservadora do Usda. Neste caso, o Usda manteria os números da última previsão ou poderia até revisar os dados sobre as perdas, atenuando-as.
De qualquer forma, os números do Usda vão dar o tom do mercado que trabalha com margem bem ampla, entre 68,9 milhões e 74 milhões de t. No começo da safra o Usda projetava até 80 milhões de t.
Independente do número a ser apresentado pelo relatório, as perdas são elevadas, tanto que as grandes indústrias têm apresentado agressividade nas compras antecipadas, chegando a pagar US$ 12,70/saca na semana passada, observa Pitolli.
Antecipando-se ao relatório de oferta e demanda que o Usda irá divulgar nesta sexta, a Dow Jones apresentou ontem as projeções de numerosas consultorias norte-americanas. A média prevê que a safra dos EUA chegue a modestos 69,7 milhões de toneladas, variando entre 65,8 milhões e 71 milhões.
Apenas comparando: safra do ano passado foi de 74,83 milhões de t.
Diante desse quadro e do fechamento em baixa na Chicago Board of Trade, o mercado interno parou ontem.
A Corretora Granoeste, de Cascavel, registrou ''indicações de compra'' a R$ 43,70 no Porto de Paranaguá. (Veja na página 2 os preços em outras praças).
Além da queda em Chicago - para realização de lucro, segundo interpretação da Granoeste -, o câmbio ajudou a esfriar o mercado: dólar comercial R$ 2,844/ 2,847; paralelo R$ 2,850/2,960; turismo R$ 2,820/2,920.





