OSWALDO PETRIN
Câmbio atrapalhou
O mercado vai tão bem para a soja este ano, que na ausência de ''razão de mercado'' para altas, são as compras especulativas dos grandes fundos de commodities que dão sustentação aos preços. Foi o que aconteceu ontem.
E as notícias sobre correção na previsão da produtividade da safra norte-americana (37% colhida) não esfriaram o mercado. Em Illinois, Indiana e Ohio a produtividade que era reportada entre 1,350 e 2,100 kg/ha, passou para alto entre 2,000 kg/ha e 2,850 kg/ha. Traders acham que há alto de ''anormal'' nesses dados da Dow Jones.
Mas o mercado brasileiro, numa segunda-feira de câmbio desfavorável (comercial a R$ 2,862/2,865, paralelo R$ 2,930/3,000, turismo R$ 2,820/2,950) não desfrutou de mais esta chance especulativa a Bolsa de Chicago.(Veja preço na página2)
Fraude/trigo -- O Brasil deve anunciar esta semana alguma medida com relação às fraudes argentinas na farinha de trigo, prática que vem prejudicando a indústria moageira e os produtores brasileiros.
A decisão argentina de fixar alíquotas diferenciadas do Imposto de Exportação para trigo, farinha de trigo e pré-mistura destinada à panificação foi denunciada em agosto pela Faep. Mais recentemente o Sindicato da Indústria de Trigo do Estado do Paraná encaminhou documento com parecer técnico sobre as fraudes argentinas.
O governo só não toma uma decisão firme se não quiser pois suporte técnico para isto não lhe falta.
Dias atrás, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura informou que a medida da Argentina está sendo considerada pelo Brasil como distorciva ao comércio, pois está prejudicando os moinhos brasileiros.
Mas a posição do governo brasileiro ficou nisso. Se quisar, o Brasil pode optar por abrir um painel e levar o caso para decisão de juízes arbitrais. A solução de controvérsia também poderá ser acionada junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com a alíquota diferenciada, fica mais barato para o exportador argentino vender para o Brasil a pré-mistura em detrimento do trigo e os moinhos brasileiros ficam sem alternativa, pois não há necessidade de processamento do produto.
O problema para o consumidor é a baixa qualidade do produto argentino. Laudos técnicos apontam uma série de irregularidades passível de punição.
Seca/café - Notícia comentada no mercado cafeeiro de Maringá, ontem: a safra de café nos Estados de Minas e São Paulo está comprometida pela seca e as perdas são irreversíveis, pois não há novas floradas para compensar o abortamento provocado pela estresse da planta.
Para não deixar dúvida a colheita comprometida é aquela que começa em abril próximo.





