Fraude no trigo
O 10º Seminário Internacional Trigo Brasil, em Florianópolis, neste final de semana, com a presença de empresários de países produtores, deve expôr uma preocupação da indústria moageira nacional que prejudica toda a vasta cadeia alimentar, principalmente o consumidor.
Trata-se do imposto sobre exportações, instituído pelo governo argentino para o grão e a farinha (20%) e para a farinha pré-misturada ou pré-mescla (5%).
A fraude praticada pelos argentinos (contra a indústria, os produtores e os consumidores brasleiros) foi alvo de denúncia, dias atrás, por parte do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná. Em agosto, quem denunciou foi a Faep, pelos produtores.
Os setores prejudicados (todos) esperam uma posição do governo brasileiro que já foi comunicado e recebeu um dossiê a respeito. O ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, deve participar do evento nesta sexta-feira e certamente não vai perder a oportunidade para se pronunciar sobre o assunto - que não comporta omissão.
O trigo é fator de segurança e envolve muito dinheiro. A Argentina abastece 90% da demanda brasileira. A indústria de moagem do Brasil, há anos vem sofrendo com a proteção ao Mercosul, que praticamente obriga a compra do produto argentino.
Esta semana, ouvimos de um empresário do setor, o que técnicos do Iapar e Embrapa já haviam afirmado: a farinha argentina é de baixa qualidade. A nossa é muito melhor.
Os moinhos brasileiros - que geram emprego, recolhem tributos e têm o compromisso de priorizar a matéria-prima nacional - são obrigados a suportar o custo de 20% sobre o preço do trigo em grão importado da Argentina, em razão do imposto de exportação.
O trigo argentino entra no Brasil com 20% acima do valor do mercado na Argentina. Os moinhos argentinos não pagam este imposto porque ele incide sobre o produto exportado. Gozam de um subsídio de 20% em relação aos moinhos brasileiros.
O estudo do Sindicato do Trigo do Paraná deixa claro: a concorrência entre moinhos brasileiros e argentinos é desleal.
Para o consumidor brasileiro é danoso porque desorganiza o mercado interno e compromete o abastecimento.
Isto sem considerar os riscos sanitários, devidamente apontados por técnicos especializados.

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