OSWALDO PETRIN
Segunda-feira gorda
As cotações da soja bateram níveis históricos no mercado futuro da Bolsa de Chicago, ontem (maiores altas desde fevereiro de 1998), e refletiram nos preços internos. Paranaguá negociou a R$ 44,50/saca. Nas praças de Maringá e Ponta Grossa (R$ 42,50); e Cascavel, R$ 41,50, foram registrados os maiores preços. São preços máximos (ver quadro na página2).
Mas houve pouca oferta. O câmbio não colaborou. Comercial, R$ 2,926/2,928; paralelo, R$ 2,960/3,010.
A US$ 6,832/bushel (27,2 kg) ou US$ 15,06/saca, a Bolsa de Chicago chegou a surpreender os operadores.
Traders disseram que pode haver nova surpresa no próximo dia 11, quando sai o novo relatório de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).
E amanhã, quinta, sai o relatório de exportações dos EUA. Não que ele vá alterar muito o quadro atual, mas deve mostrar números bem superiores aos de iguais períodos dos últimos anos.
As altas de ontem foram atribuídas aos seguintes fatores: 1) Especulação em torno de geadas na zona produtora dos Estados Unidos e um outono mais frio. Em plena colheita (cerca de 15%), os americanos, no entanto, têm parte da área em fase de enchimento de grãos. 2) Aumento das compras por parte da China, 3) Queda na produtividade, ainda por conta da seca no Meio Oeste.
Se o mercado de clima não passa de especulação (nesta terça-feira o mercado tende a cair por conta da oferta de contratos para a realização de lucros), não se pode negar, porém, que as estatísticas de oferta e procura é que deixam o mercado sensível a eventos de clima ou políticos.
O mercado já trabalha com uma safra norte-americana de 70 milhões de t, cerca de 10% abaixo da previsão de julho, sem o efeito da seca (78 milhões).
Em seis dias, o preço da soja aumentou 4% no mercado interno. No mês a variação positiva acumula 10,5%. O mercado futuro também se beneficiou da reação do mercado, ontem. Contratos para abril foram negociados por US$ 13,20/saca.
Se o cenário é de euforia - por conta de um mercado comprador, quebra da produção norte-americana e novas ameaças do clima - imagine-se o mesmo quadro, porém com o dólar a R$ 3,40/US$1,00, como no ano passado. Mas aí também já seria demais.
Detalhe: o preço médio recebido pelo produtor, está longe dos patamares de preços que o mercado de lotes vive neste momento.
Analistas de mercado não descartam a hipótese de o atual momento exercer influência sobre a área do próximo plantio que começa agora em novembro.





