De volta à realidade
Choveu no estado de Illinois, principal região produtora de soja dos EUA. Era o que faltava para acabar com a especulação positiva na Bolsa de Chicago. A estiagem no Meio Oeste norte-americano já não é mais fator de alta. Ontem, os contratos para setembro fecharam em baixa, cotados a US$ 5,7675/bushel (US$ 12,72/sacas).
No mercado paranaense os reflexos da queda na Chicago Board of Trade se manifestaram à tarde. Mas de manhã o mercado estava com o pé no freio diante do seguinte dilema:
A Bolsa estava em alta (antes da notícia do aumento das chuvas), mas o câmbio estava baixo: dólar comercial R$ 2,986/2,988; turismo, R$ 2,930/3,060.
À tarde, o câmbio reagiu: comercial R$ 2,989/2,991, mas, na Bolsa, as cotações despencaram.
O indicador de preços da soja pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná, ficou ontem em R$ 38,28/saca (+0,18% no dia). Em dólar, ficou em US$ 12,81/saca (+0,39%).
Apesar das chuvas, o estrago causado pela estiagem não tem volta. Só que não ao ponto de causar novas altas, qualquer que seja o prognóstico do Usda no seu próximo relatório, semana que vem. As perdas, embor elevadas, já foram assimiladas. A colheita ficará entre 73 milhões e 75 milhões de toneladas (previsão era de 81 milhões a 82 milhões de t.
Traders disseram ontem a este jornal que a soja agora ''deve aparecer'' porque os preços entram num longo período de estabilidade. O que tinha de acontecer já aconteceu; o mercado agora será regido pelas previsões de safra. Além da norte-americana, que agora vai até o final sem problema, há previsão de safra recorde no Brasil e Argentina.
Isso é indicativo de baixa e produtores e empresas, que têm o produto vão se expôr mais. A comercialização deste ano está atrasada em relação ao ano passado. Dados da FNP Consultoria & Agroinformativos.
A Granoeste informou ontem que os custos de produção, para a próxiam temporada, têm ''reajustes assustadores''. A soja está enfrentando uma escalada dos preços de insumos.
No Paraná, o custo de produção por hectare com produtividade de 3.000 kg/ha passa de R$ 792,48 na última safra para R$ 1.175,35 na safra 2003/04. A fonte é o Deral, acima de qualquer dúvida.
Laranja -- É de 8% a quebra na produção de laranja no Estado de São Paulo, um pouco menor que o previsto pela Secretaria da Agricultura daquele Estado. A produção deve ficar em torno de 330 milhões de caixas. Menor produção em SP pode significar melhor preço para os produtores paranaenses.

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