Faep denuncia farinha argentina

Quem tem parceiro comercial como a Argentina não precisa ter inimigos. Agora o colega de Mercosul está oferecendo uma farinha aditivada, embutindo benefícios fiscais que vêm disfarçados de pré-misturas.
A Faep reagiu. Ontem, através do seu presidente, Ágide Meneguette, a entidade paranaense entrou em contato com ministros da área econômica sugerindo medidas para ''anular os efeitos de manobras tributárias'' da Argentina na exportação de farinha de trigo aditivada para o Brasil.
Ágide Meneguette propõe a imposição de uma tarifa compensatória sobre o produto importado, para anular os efeitos da competição desleal em relação ao trigo nacional.
Um dos piores reflexos ocorre sobre o preço pago ao produtor brasileiro, que vem caindo.
Segundo Meneguette, ao facilitar a importação de farinha aditivada, em detrimento do trigo em grão, a Argentina está desequilibrando o mercado do produto in natura, deprimindo a sua cotação num momento crítico, começo de uma colheita que faz parte de um programa de governo para ampliar a sua produção, ressalta Meneguette.
O artifício da baixa taxação desequilibra o mercado interno no começo da colheita dos cereais de inverno no Sul do Brasil. Atualmente, a importação é mais barata do que o trigo em grão nos mercados do sul e sudeste do País, ''justamente aquele que se abastece diretamente do trigo produzido em nosso país, fazendo com que o preço pago ao produtor rural seja reduzido.
A diretoria da Abitrigo manifestou-se contrária a livre entrada da farinha aditivada e solicitou uma tarifa compensatória sobre o produto. Na realidade, aponta a Abitrigo, o governo argentino está subsidiando as exportações das pseudo-misturas ao renunciar à cobrança de 15% de seu imposto sobre exportações. Já houve reuniões para tratar de assuntos relacionados ao comércio bilateral, em Buenos Aires. Mas o governo argentino recusou-se a aprofundar os debates.
O setor moageiro no Brasil enfrenta dificuldades uma vez que 70% do trigo consumido no País é importado da Argentina com o imposto de exportação de 20%, enquanto a pré-mistura (farinha aditivada) entra com um imposto de apenas 5%.
Cerca de 40% do mercado de farinha de trigo para pastifícios no Sul e Sudeste do Brasil está em mãos de moinhos argentinos, causando considerável dano à indústria nacional.
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