OSWALDO PETRIN
O mico do milho
Produtores de milho que compraram contratos de opção de vendas (e que, portanto, acreditaram num instrumento de comercialização do governo) estão na iminência de ficar sem espaço para guardar o produto; quem não têm armazém na propriedade pode ficar no prejuízo já que a Conab e as cooperativas de grãos alegam não dispor de espaço físico.
Se isto acontecer, ou seja se não houver uma ação da Conab, cooperativas e Seab, a crise pode desmoralizar os contratos de opção, que são um bom mecanismo - ainda assim pouco utilizado - de apoio à comercialização. Ele está em xeque por causa disso.
Os produtores adquiriram o direito de exercer a opção de vender ou não. Na verdade, eles são ''clientes'' do governo - conforme resumiu ontem à tarde o diretor de uma corretora.
O fato de a Conab ter uma posição clara no contrato em que especifica as condições em que recebe o produto, não a isenta de responsabilidade, enquanto órgão do governo.
Até ontem à tarde a Conab não havia se pronunciado sobre um manifesto de 300 produtores que, vai corretoras credenciadas na BCML, compraram o ''Contrato de Opção de Venda de Milho'' em leilões da Conab.
Lesados - Segundo o presidente da Bolsa, Luiz Roberto Ferrari, o manifesto relaciona as dificuldades dos produtores pois acreditaram no mecanismo de garantia de preço. ''Eles pagaram as custas e, no momento de se valerem do seu direito, sentem-se lesados: os armazéns relacionados nos avisos não estão recebendo milho da liquidação de contrato de opção''.
Não é brincadeira: as quase 700 mil toneladas contratadas representam 5,445% da safra 2002/03 do Paraná (12,8 milhões de t).
Cooperativas - No Brasil sem logística, os armazéns credenciados pertencem, em sua maioria, às cooperativas.
E segundo documento da BCML, as evidências apontam que as cooperativas não estão dispostas a receber o milho dos contratos de opção que a) que não sejam de seus cooperados, b) que não tenham adquirido o referido contrato de sua corretora.
O único armazém da Conab, no Norte do Paraná não terá a agilidade necessária e, segundo o documento, talvez não tenha nem espaço para atender à demanda, principalmente se o milho for entregue com umidade. Isso, sem contar a questão logística do ponto de vista do produtor. Com valor de exercício de R$ 16,00 para recebimento em dezembro, como nos últimos contratos leiloados em 7/8, o custo do frete pode inviabilizar a operação.
Boi gordo e soja em alta. (Pág.2).





