Surpresas no mercado
O mercado apresentou duas surpresa nesta terça-feira, quando todos os indicadores sugeriam mais uma semana apática. Na soja, a valorização do dólar (comercial chegou a R$ 2,932-2,937/US$ 1,00) não foi suficiente para contrapor o recuo causado pela forte queda de dois pontos nas cotações da Bolsa de Chicago: US$ 5,395/bushel, ou US$ 11,89/saca. A queda foi causada pelos relatórios sobre a boa performance da safra norte-americana.
A outra supresa foi o café, que reagiu: o tipo 6, bebendo duro, foi comercializado entre R$ 160,00 e R$ 165,00/saca, nas praças de Apucarana, Cornélio Procópio, Londrina, e Maringá. Em Londrina, maior volume de negóis oscilou em torno de R$ 160,00. Os lotes de R$ 165,00 eram de cafés catados, de 10 defeitos, considerados especiais.
Soja: por conta do recuo das cotações futuras na Chicago Board of Trade, o mercado interno ficou travado à tarde. No Porto de Paranaguá, os menores preços deste ano. (Ver indicadores na página2).
Para o café, o comerciante Marcos Bacceti, entrevistado por este jornal, disse que realmente há um sentimento de alta no mercado. O vendedor está retraído esta semana. E está conseguindo melhorar os preços.
O produtor Marcelo Fraga, de Jardim Alegre, observou que os preços praticados no Paraná, ontem, estiveram mais próximos dos preços dos cafés finos do Sul de Minas Gerais (6%), quando a defasagem ou deságio normalmente fica entre 12% e 15%.
Tanto Fraga, o produtor, qanto Bacceti, comerciante, acham que a qualidade será o grande diferencial de preços daqui para frente, num mercado competitivo e difícil.
O mercado do robusta (conillon) eteve mais movimentado. Fraga faz uma observação do dirigente de indústria de moagem, Luiz Carlos Pelincer, da Odebreche, de Londrina. A observação é que o conillon foi valorizado, o que sugere aumento das compras das indústrias, que precisam do conillon para fazer blends.
O mercado esta em ascensão. Finalmente em ascensão. Mas Marcelo Fraga, ressalva: em outubro vem aí a safra do Vietnã. Onda baixista.
O valor à vista em reais do indicador do café conillon calculado pela Esalq ficou em R$ 129,39 para a saca de 60 kg (+4,96% no dia). Em dólar, o valor ficou em US$ 44,04/saca (+3,50%). A prazo, a cotação ficou em R$ 129,61/saca, alta de 4,92%.
Arábica - O valor à vista em reais do indicador do café calculado pela Esalq ficou em R$ 170,60 para a saca de 60 kg (+3,24%). Em dólar, o valor ficou em US$ 58,07/saca, ganho de 1,81%. A prazo, a cotação ficou em R$ 171,98/saca (+3,25%).
Finalmente as previsões. A Conab mantém baixa a previsão da safra 2003/04: 29 milhões a 30 milhões de sacas. O mercado tem sinais de que será ainda menor.

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